Osmar de Souza Francisco tem 82 anos e não esconde a emoção. Ele foi um dos primeiros a abrir as portas para a mensagem adventista em Carmo, visitando casas, trazendo pessoas e mantendo viva uma chama que ainda não tinha onde pousar. Neste sábado, 5 de setembro de 2026, aquela chama ganhou um endereço. A Igreja Adventista de Carmo foi inaugurada.

“Chegou esse determinado dia que tanto esperávamos. Estamos felizes e alegres por isso”, disse Osmar, que esteve presente na cerimônia. “Agora é para nós pegar firme, até o fim, até a volta do Senhor Jesus.”

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Neste sábado, a comunidade que Osmar viu se desenvolver ganhou uma nova referência na cidade. A inauguração do templo marcou a consolidação da presença da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Carmo, um dos municípios que ainda não contavam com presença adventista estabelecida no território administrado pela Associação Rio Fluminense (ARF).

Osmar de Souza Francisco fez parte da criação e divulgação da Igreja Adventista em Carmo e hoje celebra o dia da inauguração. Foto: Paulo Araújo.

Com a inauguração, o número de municípios sem presença adventista estabelecida caiu de seis para cinco. Atualmente, a Igreja está presente em 44 das 49 cidades atendidas pela ARF, aproximadamente 90% do território, que compreende regiões do Centro, Serra e Norte do Estado do Rio de Janeiro.

“Carmo deixa de ser apenas um ponto no mapa onde desejávamos chegar e passa a ser uma base a partir da qual a missão continuará avançando”, afirma o pastor Moisés Oliveira, secretário-executivo da Associação Rio Fluminense.

Uma igreja que começou antes do templo

Para o pastor Felipe Andrade, presidente da ARF, essa trajetória ensina algo essencial sobre o que significa plantar uma igreja. “A Igreja nasce primeiro no coração das pessoas. O templo é importante, mas ele é consequência de um trabalho que começou muito antes: com oração, relacionamentos, estudos bíblicos, visitas e pessoas dispostas a servir. O que celebramos hoje não é somente a inauguração de um templo, mas a consolidação de uma comunidade que já vinha sendo construída por meio da missão.”

O pastor Moisés Oliveira, secretário da ARF, detalhou o que essa conquista representa no mapa do território. “Carmo deixa de ser apenas um ponto no mapa onde desejávamos chegar e passa a ser uma base a partir da qual a missão continuará avançando. Atualmente temos presença da Igreja Adventista em 44 dos 49 municípios do território, aproximadamente 90% das nossas cidades.”

Ele lembrou ainda que presença adventista não começa necessariamente com um templo. “Pode começar dentro de uma casa. Foi assim que muitas igrejas começaram, com uma família.” Nosso sonho missionário é ver a Igreja Adventista presente em todos os 49 municípios que compõem o território da ARF.”

Quando a missão se transforma em planejamento

A implantação em Carmo integra um movimento da Associação Rio Fluminense para estabelecer comunidades adventistas nas cidades do território onde ainda não existe presença organizada da denominação.

Segundo Diesco Mossmann, tesoureiro da ARF, a estratégia não se resume à construção de novos templos “Nosso objetivo não é simplesmente construir templos, mas estabelecer comunidades que permaneçam, sirvam à cidade e apresentem Jesus às pessoas”, explica. “A inauguração de hoje representa exatamente isso: não estamos apenas concluindo uma obra; estamos iniciando uma presença missionária permanente em Carmo.”

Transformar esse objetivo em uma estrutura permanente exigiu uma mobilização de diferentes áreas. Quando ainda havia cerca de 60% da obra por executar, a Associação assumiu diretamente sua conclusão. Administração, engenharia, equipe financeira, profissionais da construção, pastores, membros e voluntários passaram a atuar para viabilizar a entrega.

“Houve uma grande mobilização: administração, engenharia, equipe financeira, profissionais da construção, pastores, membros e voluntários trabalhando com um único objetivo. Foi necessário planejamento, decisões rápidas, controle dos recursos e muita gente disposta a fazer além da sua função. Considero esta igreja resultado de um esforço coletivo e, acima de tudo, da providência de Deus através dessas pessoas.”

Ele foi claro sobre a visão que orienta os investimentos da ARF. “Precisamos administrar olhando para a missão. Quanto melhor utilizarmos cada recurso, maior será nossa capacidade de chegar a outras cidades. Carmo não é um ponto de chegada. É parte de um movimento que queremos continuar ampliando.”

A definição dos investimentos, segundo ele, parte das necessidades missionárias do território e considera terrenos, custos, viabilidade dos projetos e possíveis parcerias. A proposta é desenvolver igrejas funcionais, acolhedoras e financeiramente responsáveis, de forma que os recursos também permitam avançar para outras localidades.

Uma construção que começou a despertar a cidade

O engenheiro responsável pela conclusão da obra, Leonardo Freitas Tavares, descreveu uma experiência que foi além do espaço. “Durante a busca por materiais, mão de obra e fornecedores, tivemos oportunidade de conhecer pessoas, estabelecer relacionamentos e testemunhar. Há um mercado bastante conhecido na cidade, em frente à igreja, onde muitas pessoas paravam, olhavam e comentavam sobre o templo. Percebemos que, de certa maneira, a mensagem já estava sendo comunicada antes mesmo de muitas pessoas entrarem pela porta.”

Para ele, a beleza da construção era em si uma forma de anúncio. “No fim, percebemos que até mesmo a beleza de uma construção pode ser uma forma de pregação. O templo chama a atenção, mas o verdadeiro propósito é que, por meio dele, as pessoas conheçam a Igreja e, principalmente, conheçam a Cristo.”

De Carmo para outras cinco cidades

A inauguração modifica o mapa da presença adventista no território da Associação Rio Fluminense, mas não encerra o movimento de expansão. Agora, cinco dos 49 municípios permanecem sem presença adventista estabelecida: Cambuci, Trajano de Moraes, Varre-Sai, São Sebastião do Alto e São José de Ubá.

Em três dessas cidades, entretanto, já existem famílias adventistas atuando. Para o pastor Moisés Oliveira, esse dado é relevante porque uma nova presença não precisa começar necessariamente com um templo.

“Ela pode começar dentro de uma casa. Temos famílias adventistas atuando já em três destas cidades onde ainda não existe uma congregação estabelecida, e essas famílias são extremamente importantes para nossa estratégia missionária. Foi assim que muitas igrejas começaram, com uma família”, explica.

O objetivo da Associação é estabelecer presença adventista nos 49 municípios que compõem seu território. “Não estamos apenas inaugurando um templo; estamos reduzindo mais uma distância no mapa da missão. Agora são 44 municípios alcançados e cinco diante de nós”, afirma o secretário.

Famílias adventistas já atuam em três dessas cidades como parte da estratégia missionária do projeto “Em Cada Cidade, Uma Igreja”, iniciativa da Igreja Adventista idealizada pela União Sudeste Brasileira para estabelecer presença adventista e plantar novas congregações em municípios ainda sem templos ou grupos ativos.

O foco do projeto não é erguer construções físicas, mas levar uma “igreja viva”, com pessoas atuantes, enraizadas na comunidade e comprometidas com a missão. Foi exatamente assim que Carmo começou. E é assim que as próximas cidades também começarão.

“Nosso propósito é continuar trabalhando para que, no tempo certo, possamos olhar para o mapa da Associação Rio Fluminense e dizer: temos em cada cidade uma igreja”, declarou o pastor Moisés Oliveira.

Osmar, com seus 82 anos e o sorriso de quem esperou por esse dia, já sabe o que quer ver daqui para frente. “Meu desejo é que essa igreja permaneça cheia, assim como está hoje, e daqui para frente, seja cheia todos os dias, se possível for.”

Uma inauguração em meio ao OneVoice27

A abertura do novo templo ocorreu em meio ao lançamento do OneVoice27, movimento mundial que convida cada adventista a assumir pessoalmente seu papel no anúncio de Jesus.

Para o presidente, a trajetória que antecedeu a inauguração em Carmo ajuda a traduzir esse chamado. Antes de existir o novo espaço, pessoas já se envolviam em visitas, relacionamentos e estudos bíblicos para estabelecer uma comunidade na cidade.

“Enquanto estamos chamando cada adventista a assumir pessoalmente a missão de anunciar Jesus, estamos vendo o resultado concreto desse espírito missionário em Carmo. Esta igreja existe porque pessoas decidiram participar, servir, visitar, ensinar a Bíblia e acreditar que esta cidade também precisava ser alcançada, afirma.

A partir da inauguração, Carmo entra em uma nova etapa. O desafio agora, segundo Moisés, é fortalecer espiritualmente os membros, desenvolver novas lideranças, ampliar a atuação da igreja na comunidade e continuar o trabalho evangelístico para alcançar outras pessoas e famílias.

“Carmo nos lembra que, quando toda a Igreja se envolve em uma só voz e com um só propósito, novas pessoas são alcançadas, novas comunidades surgem e o evangelho continua avançando”, conclui Felipe Andrade.

FONTE/CRÉDITOS: Wiliane Passos