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Desde segunda-feira (10), a cidade de Campo Bom recebe atletas de todo o Brasil para o Campeonato Brasileiro de Clubes de Handebol na categoria Cadete, com jogadoras nascidas entre 2010 e 2011. A competição reúne equipes importantes no cenário nacional, como o Pinheiros-SP, Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa-SP, Suzano-SP, Português-PE, CRB-AL e AECB de Campo Bom.

Campeonato Brasileiro de Handebol em Campo Bom
Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Neste sábado (15), o ginásio do Centro de Educação Integrada (CEI) recebeu as semifinais do campeonato com clássicos nacionais. O Centro Olímpico encarou o CRB, conquistando a classificação. Na sequência, Pinheiros e Português se enfrentaram com vitória elástica da equipe pernambucana.
A final será neste domingo (16) a partir das 16h30 no Ginásio Municipal. “Estamos hospedados em Novo Hamburgo desde segunda-feira, viemos de carro para acompanhar nossa filha”, explica Marina Garcia, que estava acompanhada do esposo e do filho pequeno. Ela é mãe de Rafaela Dapart, que atua no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa Marechal Mário Ary Pires, clube que faz parte de um projeto da Prefeitura de São Paulo. “É um trabalho muito importante, com atletas de elite que faz toda a formação dos jovens.”
Marina conta que ela e o marido costumam se organizar no trabalho para acompanhar Rafaela em competições fora da capital paulista. “Gostamos muito da estrutura aqui em Campo Bom, o ginásio é muito bom, organizado. A cidade também.” Ela não escondia o orgulho do time, que vai disputar a final e é um dos clubes mais tradicionais de São Paulo. “Fico nervosa, ansiosa. Me emocionei bastante com a vaga na decisão.”
Em busca da medalha de ouro
Estudante do 2º ano no Ensino Médio, Giulia Mancini atua desde 2024 no Centro Olímpico. Antes, passou por equipes tradicionais como Corinthians e São Paulo. “Aqui [no Centro] trabalhamos mais como atletas. Temos um jogo baseado na união, não apenas na parte técnica.” Aos 16 anos, Giulia afirma que consegue conciliar os treinos com as aulas. “A escola tem muitos atletas, então nos ajudam muito”, completa a jovem, que precisou passar a semana no Rio Grande do Sul com as amigas de clube.

Centro Olímpico/SP
Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Já Rafaela, que teve a presença dos pais e do irmão mais novo na arquibancada, começou a jogar handebol em 2019 e desde 2026 está no Centro Olímpico. Antes, passou por outro time com tradição no esporte: o Pinheiros. “Tenho o sonho de jogar profissionalmente e chegar na Seleção Brasileira, depois atuar em algum clube na Europa”, salienta a menina de 15 anos.
Questionada sobre a estrutura em Campo Bom, Rafaela elogiou a estrutura do Ginásio CEI. “A quadra é grande, por ser ponta isso ajuda bastante. A equipe de arbitragem e da organização também merece elogios.”
Quem já está na Seleção Brasileira é a jovem Emanuelle Vianna, 15 anos. Ela é goleira no Português, do Recife. “Desde 2025 jogo no Luso, mas jogo handebol desde os 5 anos. Tenho muita vontade de me tornar profissional”, reforça a jovem, que fez defesas importantes na semifinal diante do Pinheiros, ajudando a equipe a chegar na final.

Português/PE
Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Atuando no ataque, apesar da camisa de número 2, Rani Vieira, 14 anos, pratica o esporte desde os 11 anos. “Ano passado também viemos para Campo Bom, mas é a minha primeira vez na final. Está sendo uma experiência ótima, estamos no alojamento aqui na cidade e a estrutura é muito boa.” Assim como Emanuelle, Giulia e Rafaela, Rani é outra menina que sonha com a seleção profissional do Brasil e em representar o país em uma edição dos Jogos Olímpicos.
Experiência e desenvolvimento na base
Os treinadores finalistas, Régis Silva (Centro Olímpico) e João Henrique Prestrelo (Português), valorizaram os trabalhos nas categorias de base dos clubes. Ambos atuam preferencialmente com jovens. “Sempre trabalhei na base, temos muito talento no país”, relata Régis.
Em 2025, a Seleção Brasileira feminina chegou às quartas de final no Campeonato Mundial, eliminada apenas para a Alemanha. Ainda assim, o comandante do time paulista esclarece que o esporte precisa ser melhor desenvolvido no país. “A confederação precisa ter um olhar mais atento para as jovens. Aqui no campeonato, por mais que tenha transmissão, deveria ter alguém acompanhando de perto.”
João Henrique é auxiliar-técnico da Seleção Feminina sub-15 e salienta que o handebol deve voltar a ser valorizado também nas escolas. “Os colégios eram celeiros muito importantes para o esporte. É difícil falar com alguém que não tenha jogado na infância. Mas isso parece ter ficado no passado.” Ainda assim, reforçou a estrutura e a importância da modalidade em Campo Bom. “Venho há bastante tempo para Campo Bom e a estrutura é excelente. O esporte é realmente valorizado aqui”, finaliza.
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