Espaço para comunicar erros nesta postagem
Quando Fernanda Matos matriculou o filho na Educação Adventista, aquela decisão estava ligada a uma promessa que havia feito a Deus antes mesmo de se tornar mãe. Anos depois, o caminho iniciado com a educação do filho também passou a fazer parte da experiência espiritual de toda a família.
“Meu filho dizia: ‘Mãe, nós somos adventistas’. E eu aderi, comecei a frequentar”, recorda Fernanda. A aproximação continuou com estudos bíblicos oferecidos pelo Colégio Adventista de São Gonçalo e culminou, em agosto, com uma decisão tomada em família: Fernanda, o marido e o filho foram batizados juntos.
Leia também:O testemunho fez parte de um encontro que reuniu mais de 350 profissionais das cinco unidades da Educação Adventista mantidas pela Associação Rio Fluminense da Igreja Adventista do Sétimo Dia: Itaboraí, Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes e Macaé.
A programação marcou o lançamento das matrículas para 2027 e reuniu profissionais de diferentes áreas em torno do tema “Identidade e Propósito”. Em um ano no qual a Educação Adventista celebra 130 anos de atuação no Brasil, a proposta foi olhar para a trajetória construída até aqui sem perder de vista as novas gerações que chegarão às escolas.
Quando o que se aprende na escola chega em casa
A experiência da família de Fernanda ajuda a mostrar como a influência da escola pode ultrapassar os limites da sala de aula. Ela conta que os ensinamentos recebidos pelos filhos passaram a fazer parte também das conversas e experiências dentro de casa. “Meus filhos também me corrigem dentro do que é certo que eles aprendem”, relata.
Segundo Fernanda, inicialmente uma família pode procurar uma instituição de ensino pensando em aspectos acadêmicos, mas sua experiência ampliou essa percepção. “Quando vocês falam ‘além do ensino’, é realmente além do ensino”, afirma. Para ela, a formação recebida pelos filhos alcançou aspectos comportamentais, emocionais e espirituais e acabou influenciando também os pais.
O relacionamento construído com os profissionais da unidade de São Gonçalo também teve papel importante nesse processo. Fernanda destaca o acolhimento, a confiança e a abertura para que as famílias sejam ouvidas.
Após o batismo, uma mudança resume o novo momento vivido em casa. “Antes eles estavam caminhando e tentando me levar. Hoje nós vamos estar caminhando juntos”, conta.
Uma conversa no horário do almoço
A segunda história de batismo no evento veio do Colégio de Itaboraí. Wallace Medeiros Quintanilha, monitor da unidade, percebeu durante as férias do ano passado que uma colega de trabalho, Ketleen, tinha dúvidas sobre a Igreja Adventista. A conversa começou nos momentos vagos, no horário de almoço.
“Ela não aceitou o convite para o estudo bíblico de primeira. Mas fui introduzindo alguns princípios, conversando nos momentos vagos. Vi um interesse surgindo nela”, contou Wallace. Quando o pastor fez o convite formal, Ketleen aceitou. E no dia do lançamento das matrículas, ela se batizou.
Para Wallace, o que aconteceu revela algo sobre o papel de cada colaborador dentro da missão. “A gente se torna a primeira Bíblia que uma pessoa pode ler. Nossa vida pode ser o primeiro contato que alguém tem com a fé. Então precisamos nos policiar no que falamos, no modo de agir. O colégio tem um propósito que vai muito além do ensino e a gente precisa viver isso.”
Ele acrescenta: “Me senti gratificado. Às vezes eu sinto que não sou merecedor das bênçãos que Deus tem colocado na minha vida. E quando vi ela se batizando, foi muita alegria.”
3100 oportunidades de salvação
O alvo estabelecido para 2027 é de 3.100 matrículas nas cinco unidades da ARF. Para o pastor Felipe Andrade, presidente da ARF, o número carrega um peso que vai além da planilha. “Por trás de 3.100 alunos existem 3.100 vidas, 3.100 histórias e milhares de pessoas que podem ser alcançadas. Cada aluno que entra em uma de nossas escolas passa a conviver diariamente com valores, princípios e uma visão de mundo fundamentada na Bíblia.”
Ele foi direto sobre o papel das escolas na missão da igreja no território. “A Educação Adventista não é apenas uma escola que a Igreja mantém, é uma das maneiras pelas quais a Igreja cumpre sua missão. As nossas escolas são verdadeiros centros de influência. Em uma região tão ampla como o Centro, a Serra e o Norte do Rio de Janeiro, as escolas nos permitem chegar a famílias que talvez nunca fossem alcançadas por uma campanha evangelística.”
Leonardo Bernardo, departamental de Educação da ARF, reforçou que o alvo de matrículas é, antes de tudo, um alvo de pessoas. “Queremos que cada aluno matriculado represente uma história que vai ser acolhida e impactada por cada um de nós. Queremos excelência acadêmica, mas também formar caráter e ser relevantes nas regiões onde estamos.”
Ele destacou que a missão não pertence apenas à sala de aula. “Ela também acontece na recepção, na secretaria, na manutenção, na limpeza, na alimentação, na segurança. Quando nossas atribuições estiverem alinhadas com nosso propósito, o trabalho deixa de ser operacional e passa a ser ministerial. Queremos que cada colaborador se enxergue em seu trabalho como um embaixador dessa missão”.
Movimento não é direção
A programação foi construída a partir do tema “Identidade e Propósito”, conectando elementos que remetiam ao passado, ao presente e ao futuro. Uma antiga mesa de fotografia escolar representou a trajetória construída ao longo de 130 anos, enquanto robôs e outros recursos tecnológicos apontaram para as transformações que já fazem parte do ambiente educacional.
A mensagem, no entanto, foi de que inovação não significa abandonar aquilo que fundamenta a instituição. “Nós não queremos entrar em 2027 apenas como uma nova campanha de matrículas, mas como a continuidade dessa história que tem fundamentos, identidade e propósito”, explica Leonardo Bernardo.
Segundo ele, olhar para a história permite reconhecer o que Deus realizou por meio da Educação Adventista e, ao mesmo tempo, compreender a responsabilidade de preparar as novas gerações. “Quando olhamos para o futuro, percebemos uma responsabilidade ainda maior: a de preparar as novas gerações para esta vida, mas também para a que está por vir.”
Ocupação, identidade e crescimento
Um dos convidados do evento foi o palestrante Israel Elias, que desafiou os colaboradores a distinguirem ocupação de crescimento. “Tem muita gente ocupada, mas para onde a vida está indo? As pessoas não param para refletir nisso”, provocou.
A provocação levou os participantes a refletirem sobre a rotina profissional e pessoal. Para Israel, uma agenda cheia não significa necessariamente crescimento. Uma de suas frases marcantes ecoou pelo evento: “Movimento não é a mesma coisa que direção.” E a segunda não ficou atrás: “Tudo que você faz repetidamente se tornará sua identidade.”
Para o contexto da educação, ele foi específico. “Na escola são vários alunos, várias realidades diferentes. Quem sabe colocar uma meta de conversar com um aluno diferente por dia? Três minutinhos. E você vai aprendendo, evoluindo e pode até ajudar essas crianças.”
Ele reforçou ainda que nenhuma tecnologia substituirá o que a escola adventista tem a oferecer. “Quanto mais os anos passam, as pessoas estão mais digitais, mas mais carentes do toque, da presença, do abraço. Uma escola que se propõe a fazer isso vai conquistar grandes patamares.”
130 anos, novos desafios
As duas histórias, uma família alcançada em São Gonçalo e uma colaboradora influenciada pelo testemunho de um colega em Itaboraí, ajudaram a dar significado à celebração dos 130 anos da Educação Adventista.
Para Felipe Andrade, são exemplos de como a escola pode funcionar como um centro de influência e alcançar pessoas que talvez não chegassem inicialmente à igreja por outros caminhos.
“Muitas vezes falamos que a escola é uma extensão da missão da igreja, mas quando vemos uma criança sendo alcançada, levando essa influência para dentro de casa e, posteriormente, uma família inteira tomando uma decisão por Cristo, entendemos de maneira muito concreta o alcance da Educação Adventista.”
A Educação Adventista olha para 130 anos de história para reafirmar uma convicção: métodos podem mudar, tecnologias podem avançar e as gerações podem se transformar. A identidade permanece quando o propósito continua claro. E, para a rede na Associação Rio Fluminense, esse propósito passa por educar para a vida, formar caráter e criar, todos os dias, novas oportunidades para que alunos e famílias conheçam a Jesus.
/Dê sua opinião
Qual o seu nível de satisfação em relação ao serviço público prestado?
Para participar desta enquete, realize o login em sua conta!
Login Cadastre-seNossas notícias
no celular
Jornal de Canoas
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se