Um encontro casual dentro de um ônibus mudou o rumo da história de Erisvaldo Silva da Costa, de 64 anos, na cidade de Santarém, região oeste do Pará. Depois de quase quatro décadas afastado da Igreja Adventista, ele decidiu voltar à comunidade de fé e foi batizado durante uma programação do Quebrando o Silêncio.

A história começou durante uma viagem. Valdenira Santos Sousa voltava para casa, na região da praia do Carapanari, quando foi abordada por Erisvaldo. Ela usava o uniforme de diaconisa e isso chamou a atenção dele.  “Encontrei o senhor Erisvaldo no ônibus, por acaso, quando estava indo para casa, porque moro lá na praia do Carapanari. Ele chegou até nós perguntando se éramos adventistas, porque eu estava vestida de diaconisa naquele dia”, conta Valdenira.

Erisvaldo então revelou que já havia frequentado a igreja, mas estava afastado havia cerca de 40 anos. Disse também que tinha vontade de retornar.

Valdenira explicou onde ficava a congregação e fez um convite para que ele participasse da programação do fim de semana. “Expliquei onde era a nossa igreja e disse que, se ele quisesse vir com a gente no final de semana, poderia vir”, lembra.

Um convite que mudou a história
Erisvaldo aceitou. Começou a frequentar novamente a igreja e, no segundo sábado, acompanhou o batismo do filho de Valdenira.

A cerimônia despertou nele o desejo de também tornar pública a decisão de retornar. “Já no segundo sábado em que ele veio, meu filho se batizou. Nesse batismo, ele se sentiu muito tocado. Então decidiu também se batizar e retornar, pela graça de Deus. Para honra e glória de Deus, hoje ele está batizado”, relata Valdenira.

O retorno aconteceu em um período que Erisvaldo descreve como marcado pela solidão e pelo abandono. Para ele, voltar à igreja significou reencontrar um caminho que considerava certo. “Volto para a igreja em um momento de solidão, de abandono, certo de que esse é o caminho correto. Foram 40 anos longe dos caminhos de Cristo e hoje eu encontro a felicidade”, afirma Erisvaldo.

Uma oração que atravessou décadas
A decisão de Erisvaldo, no entanto, começou muito antes daquele encontro no ônibus.
Segundo o pastor Oseias Oliveira, responsável pelo batismo, a mãe de Erisvaldo passou anos orando para que o filho voltasse à fé.

Ela morreu com quase 90 anos e não chegou a acompanhar o retorno do filho à igreja nem o batismo. As orações, porém, permaneceram na memória de Erisvaldo e da família. “O irmão Erisvaldo ficou quase 40 anos afastado da igreja, mas pôde testemunhar que é fruto da oração da sua mãe, que faleceu com quase 90 anos. Ela orou muito tempo por ele e não teve a oportunidade de presenciar o retorno do filho e o batismo dele”, afirma o pastor Oseias.

Um recomeço
O batismo aconteceu durante uma programação do Quebrando o Silêncio, iniciativa voltada à conscientização e à prevenção da violência e do abuso, além do acolhimento e da orientação de pessoas que precisam de ajuda. Naquele dia, a programação ganhou também uma história de recomeço.

A trajetória de Erisvaldo foi construída a partir de encontros que aconteceram em momentos diferentes: as orações de uma mãe, uma conversa inesperada dentro de um ônibus, um convite para voltar à igreja e, depois, uma cerimônia que despertou nele a decisão de recomeçar. Quase 40 anos depois de se afastar, Erisvaldo voltou às águas do batismo.
Para Valdenira, acompanhar a decisão mostrou que um gesto simples pode abrir espaço para uma grande mudança.
Para o pastor Oseias, o momento representa o resultado de uma história de perseverança que começou com as orações de uma mãe e atravessou décadas.

O que começou com uma conversa durante uma viagem terminou em um reencontro com a fé, e em um novo capítulo na vida de Erisvaldo. “Louvamos a Deus pela decisão do Erisvaldo e por este batismo realizado em nossa geografia, no Oeste do Pará. Cada vida entregue a Cristo renova nossa alegria e fortalece a missão de continuar levando esperança a mais pessoas. Somos gratos a Deus por testemunhar os frutos da oração, do acolhimento e da evangelização”, destaca o pastor Wiglife Saraiva, presidente da Missão Oeste do Pará.

FONTE/CRÉDITOS: thais.cruz