Acusação contra imigrante que governo Trump deportou por engano é arquivada e aponta abuso de poder

Kilmar Abrego Garcia, imigrante deportado por engano pelo governo Trump, apresenta-se ao escritório do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos Estados Unidos em 25 de agosto de 2025.
REUTERS/Elizabeth Frantz
Um juiz federal dos Estados Unidos arquivou nesta sexta-feira (22) a acusação criminal contra o imigrante salvadorenho Kilmar Abrego e afirmou que o governo do presidente Donald Trump abusou de seu poder ao processá-lo em retaliação ao processo movido por ele contra sua deportação.
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Em uma decisão considerada rara, o juiz federal Waverly Crenshaw, de Nashville, no Tennessee, escreveu que o Departamento de Justiça reabriu uma investigação contra Abrego relacionada a uma abordagem policial ocorrida em 2022 e obteve uma denúncia criminal porque precisava de uma “justificativa” para permitir o retorno dele aos EUA.
“As evidências apresentadas a este tribunal infelizmente refletem um abuso do poder de acusação”, escreveu Crenshaw, indicado ao cargo pelo ex-presidente democrata Barack Obama. “Sem o processo bem-sucedido de Abrego contestando sua remoção para El Salvador, o governo não teria apresentado esta acusação.”
Imigrante deportado por engano pelo governo Trump se entrega nos EUA
O imigrante virou símbolo da política de deportações de Trump
Abrego, que entrou ilegalmente nos Estados Unidos, virou um símbolo da política de deportações em massa defendida por Trump após ser enviado, em março, para uma megaprisão em El Salvador — apesar de existir uma decisão judicial anterior que proibia seu retorno ao país devido ao risco de perseguição.
Depois que a Suprema Corte dos EUA determinou que o governo facilitasse o retorno de Abrego, promotores apresentaram uma acusação criminal contra ele por suposto tráfico de pessoas, relacionada ao episódio de 2022.
O governo Trump então trouxe o migrante de volta aos Estados Unidos em junho de 2025.
Abrego se declarou inocente e argumentou que estava sendo processado como represália por ter acionado a Justiça para retornar ao país.
Em nota divulgada nesta sexta, os advogados do salvadorenho afirmaram: “Enquanto este governo continua desgastando nossa democracia, seguimos gratos por um Judiciário independente que aplica os precedentes legais aos fatos de forma imparcial.”
O Departamento de Justiça informou que recorrerá da decisão.
“Mais um juiz ativista colocou a política acima da segurança pública. A decisão é equivocada e perigosa”, afirmou um porta-voz da pasta.
Juiz cita declarações de integrante do governo Trump
Após o retorno de Abrego aos EUA para responder às acusações, o governo Trump retomou os esforços para deportá-lo para outro país que não fosse El Salvador. Em dezembro, a juíza federal Paula Xinis, de Maryland, determinou sua libertação da custódia imigratória.
Crenshaw já havia afirmado no ano passado que havia uma possibilidade concreta de Abrego estar sendo alvo de uma acusação motivada por vingança. O juiz citou declarações dadas à Fox News pelo então vice-procurador-geral Todd Blanche, que afirmou que o governo passou a investigar Abrego depois que a juíza Xinis questionou sua deportação.
Na decisão desta sexta, Crenshaw escreveu que o governo não conseguiu rebater a conclusão de que houve motivação retaliatória, destacando que Blanche não prestou depoimento em uma audiência realizada em 26 de fevereiro de 2026 sobre o possível arquivamento do caso.
Atualmente, Blanche ocupa o cargo de procurador-geral interino dos Estados Unidos.






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