Na Igreja Adventista do Sétimo Dia da Floresta, em Porto Alegre, crianças recebem visitantes, pré-adolescentes acompanham o recolhimento das ofertas e aprendem sobre sua destinação, e adolescentes participam da sonoplastia e do ensino na Escola Sabatina. Com a orientação de adultos, essas responsabilidades se tornam oportunidades para aprender a servir, desenvolver habilidades e colocar a fé em prática.

Esse envolvimento ganhou um novo incentivo entre julho e setembro, quando 75 crianças e adolescentes, de 7 a 16 anos, participaram de uma experiência piloto de discipulado: um processo de aprendizado e acompanhamento para desenvolver o relacionamento com Jesus e compartilhar a fé. Com o apoio de familiares, professores e líderes, eles realizaram desafios como orar por amigos, fazer visitas missionárias, distribuir publicações e participar dos cultos. As atividades eram registradas e recebiam pontuações para estimular a participação.

Identificadas nessa etapa como Discípulos Kids e Discípulos Soul+, as propostas conectam experiências na igreja, em casa e na comunidade. A Floresta foi a primeira a concluir o piloto. Segundo Suzete Águas, líder dos Ministérios da Criança e do Adolescente da Igreja Adventista para o Sul do Brasil, a etapa de testes também contempla uma igreja de cada associação da região. Os aprendizados ajudarão a aperfeiçoar a iniciativa para sua implementação em 2027, integrada ao OneVoice27, com foco no envolvimento das novas gerações na missão.

Aprendizado que transborda

Entre os participantes estava Antonella, de 9 anos. Moradora de Esteio, ela frequenta a Igreja da Floresta com os pais. A mãe, Fernanda Sander, conta que inicialmente teve dúvidas sobre como a filha conseguiria acompanhar as atividades durante a semana, por causa da distância e da rotina de trabalho da família. Ao longo do trimestre, porém, percebeu mudanças na segurança e na iniciativa da menina.

“Ela está mais segura, oferecendo-se para fazer as orações, cantando as músicas com alegria, conversando e recepcionando as pessoas na igreja. Ela amou distribuir os livros e revistas para pessoas desconhecidas. Isso também a ajudou a fazer amizades com mais facilidade em qualquer lugar que frequentamos”, relata.

O aprendizado também alcançou outra família. Depois de passar uma tarde com Antonella, uma amiga que não é adventista começou a pedir que todos em sua casa orassem antes das refeições. A mãe da menina contou o episódio a Fernanda em uma mensagem de áudio. Para Fernanda, a experiência mostrou como atitudes simples da filha poderiam compartilhar a fé fora do ambiente da igreja.

Antonella terminou o trimestre em primeiro lugar na pontuação do Discípulos Kids, mas o que a mãe destaca são as mudanças no cotidiano. Segundo ela, a menina levou amigas à igreja e passou a contar em casa como procurava ajudar a resolver conflitos na escola. “O comprometimento dela em tentar ser como Jesus (gentil, bondosa, generosa e amável) está muito mais aflorado após estes meses do projeto”, afirma.

Experiência construída em comunidade

A participação das novas gerações já vinha sendo estimulada na Floresta por iniciativas desenvolvidas pelo pastor distrital Euzélio Vaz ao longo de sua trajetória ministerial. Na comunidade, o Assistente do Pastor, que envolve crianças na leitura bíblica, na oração e no acolhimento aos visitantes, passou a funcionar ao lado do Grande Como Davi, com cultos conduzidos por crianças e adolescentes. O apoio das famílias e da liderança local ajudou a incorporar essas oportunidades à rotina da igreja.

Essas experiências foram apresentadas em maio, durante um encontro promovido pela União Sul Brasileira, sede administrativa da Igreja Adventista para os estados do Sul, com pastores de igrejas com mais de 400 membros. Na ocasião, Suzete compartilhou uma proposta de ampliação do discipulado infantil e juvenil e conheceu as iniciativas desenvolvidas na Floresta.

A proposta estava fundamentada em seus estudos sobre o fortalecimento da fé desde a infância e sua relação com o novo currículo da Escola Sabatina, Vivos em Jesus. Para Suzete, esse processo envolve o pertencimento à comunidade, o relacionamento com Jesus e as oportunidades de viver o que se aprende. A família e o convívio com outras gerações têm papel central nesse desenvolvimento.

O diálogo entre essa fundamentação e a experiência local levou à realização do piloto. A partir das iniciativas já desenvolvidas na Floresta, Suzete propôs ampliar as oportunidades de aprendizado para diferentes departamentos. Assim, crianças e adolescentes poderiam ser acompanhados por adultos em áreas como recepção, diaconato e ancionato, desenvolvendo habilidades e vínculos com outras gerações.

“A nossa proposta foi pegar o calendário da igreja, o calendário eclesiástico da igreja, e propor desafios trimestrais para as crianças estarem envolvidas na missão e no discipulado”, explica Suzete. Para ela, esse envolvimento contribui para desenvolver habilidades e formar futuros líderes.

Preparo, acompanhamento e oportunidade

Na Floresta, a organização das atividades ficou sob a responsabilidade de Eni, líder do Ministério da Criança e do Adolescente da igreja. Ela coordenou o contato com as famílias e a montagem das escalas. Como o teste durou um trimestre, foram selecionadas algumas das tarefas previstas na proposta anual. Atividades que já faziam parte da rotina, como os cultos mensais do Grande Como Davi, também foram incorporadas aos desafios.

“O maior incentivo é dos pais e dos professores da Escola Sabatina”, afirma Eni. Segundo ela, o interesse em participar também aparece nas próprias classes, onde crianças e adolescentes assumem responsabilidades adequadas à idade, como fazer orações e compartilhar relatos missionários.

Para Suzete, a escala é uma ferramenta para organizar o discipulado. Ela permite visualizar quem está participando, distribuir oportunidades e preparar cada criança para a atividade que realizará. O acompanhamento começa antes da participação, com orientação e treino, e continua nas experiências de serviço dentro e fora da igreja.

“Então, não é um discipulado que fica restrito só a atividades dentro da igreja. É um discipulado que envolve casa, igreja e comunidade”, destaca.

Esse aprendizado aparece na participação dos pré-adolescentes no recolhimento das ofertas, no primeiro sábado de cada mês. Além de colaborar com o culto, eles acompanham o trabalho da tesouraria para conhecer o destino dos dízimos e das ofertas. Os adolescentes também ajudam a conduzir o estudo da lição em sua classe e, na programação de celebração do projeto, ficaram responsáveis pela Escola Sabatina dos adultos.

Mudanças dentro de casa

A etapa de atividades do piloto terminou em setembro, e os participantes receberam pins em uma programação de reconhecimento realizada em 17 de outubro. Algumas das práticas de participação continuam na agenda da igreja até o fim do ano. Para as famílias, as experiências desse período também trouxeram mudanças à rotina doméstica.

Anderson Zukowski, pai de duas participantes, percebeu maior interesse das filhas pelas atividades da igreja. Segundo ele, a dinâmica de metas e incentivos contribuiu para esse envolvimento. Uma das mudanças mais perceptíveis aconteceu na música: embora a família tivesse o costume de cantar pouco em casa, as meninas fizeram questão de participar dos momentos de louvor na igreja.

“Como resultado, além de elas se desenvolverem musicalmente, o projeto acabou estimulando a nossa rotina familiar: hoje, dentro de casa, dedicamos um tempo muito maior para o louvor cantado”, conta.

Aplicação em 2027

Os testes na Floresta e em outras igrejas do Sul permitirão reunir avaliações de líderes e professores sobre a clareza das orientações, a adequação das atividades e a motivação dos participantes. Segundo Suzete, esse retorno ajudará a ajustar os materiais e a organização da proposta antes de sua apresentação às demais comunidades.

A implementação em 2027 estará integrada ao OneVoice27, iniciativa de mobilização das novas gerações para compartilhar a fé. A proposta contempla crianças, pré-adolescentes e adolescentes, com atividades adequadas a cada faixa etária e acompanhamento dos Ministérios da Criança e do Adolescente em parceria com os demais departamentos.

Na Floresta, os relatos das famílias mostram como esse aprendizado começou a fazer parte do cotidiano: na iniciativa de convidar uma amiga à igreja, na oração compartilhada antes de uma refeição e no tempo que pais e filhas passaram a dedicar juntos ao louvor.

FONTE/CRÉDITOS: Willian Vieira