Equipe realiza transplante de intestino isolado no Silvestre; cirurgia durou aproximadamente seis horas. (Foto: Priscila Pahim Lopes)

O Hospital Adventista Silvestre (HAS), integrante da rede Adventist Health Brasil, realizou no dia 5 de setembro, o primeiro transplante de intestino isolado do estado do Rio de Janeiro. Viviane, de 40 anos, passou pela cirurgia, realizada em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS).

A operação durou aproximadamente seis horas. A paciente recebeu intestino delgado e grosso, sem o transplante simultâneo de órgãos como fígado, pâncreas ou estômago. Viviane apresentava síndrome do intestino curto, falência intestinal e desnutrição severa como consequências da Doença de Chron, condições que comprometiam a absorção dos nutrientes necessários ao organismo.

Leia também: Cirurgiões durante o primeiro transplante de intestino isolado do Rio de Janeiro, realizado no Hospital Adventista Silvestre. (Foto: Priscila Pahim Lopes)

Para ela, o transplante representa a esperança de recuperar a saúde e retomar planos interrompidos pela doença. “Eu espero que ela me traga de volta todos os meus sonhos que eu não pude realizar. Que ela me dê força, saúde, condições pra me manter a pessoa que eu sou”, afirma.

Procedimento de alta complexidade Procedimento realizado pelo SUS mobilizou equipe do Silvestre em uma cirurgia de aproximadamente seis horas. (Foto: Priscila Pahim Lopes)

Ainda pouco realizado no Brasil, o transplante intestinal é indicado em situações específicas, entre elas complicações graves associadas ao uso prolongado de nutrição parenteral, que fornece nutrientes diretamente na corrente sanguínea por meio de um cateter. Segundo o diretor médico do Silvestre, Ranieri Leitão, Viviane dependia exclusivamente desse suporte há vários anos.

O cirurgião-chefe e coordenador do setor de transplantes, Eduardo Fernandes, explica que a equipe já possui experiência em transplantes multiviscerais, que envolvem vários órgãos ao mesmo tempo. Ele explica que “alguns deles participaram do primeiro transplante multivisceral no estado, com o transplante conjunto de intestino delgado, fígado, pâncreas e estômago.”

Equipe do Hospital Adventista Silvestre, onde foi realizado o primeiro transplante de intestino isolado do Rio de Janeiro, pelo SUS (Foto: Priscila Pahim Lopes)

De acordo com o cirurgião Felipe Pedreira Tavares de Mello, a operação ocorreu sem complicações. Ele explica que cirurgias anteriores podem deixar aderências, cicatrizes internas que tornam uma nova intervenção mais difícil.

“Para nossa surpresa, encontramos um cenário um pouco mais favorável do que imaginávamos. A cirurgia correu super bem, sem nenhum tipo de intercorrência, nós estamos bem esperançosos com o sucesso do procedimento como um todo”, observa.

Experiência em transplantes Hospital Adventista Silvestre, integrante da rede Adventist Health Brasil, realizou 1.688 transplantes de rim e fígado desde 2010 (Foto: Priscila Pahim Lopes)

Desde 2010, o Hospital Adventista Silvestre realizou 1.688 transplantes de rim e fígado. A trajetória inclui também o primeiro transplante de pâncreas do mundo com a técnica segmentar isolada, em 1968, que utiliza parte do órgão do doador.

Atualmente, sete dos 12 cirurgiões da equipe de transplantes de fígado são mulheres. Grande parte dos profissionais fez residência no hospital e construiu carreira na instituição. A equipe também buscou capacitação nos Estados Unidos para o transplante intestinal.

“São muitos anos de dedicação, estudo e experiências. Para acontecer o que aconteceu hoje, foram muitos anos acumulando experiências”, destaca Fernandes.

Ao falar sobre o cuidado recebido, Viviane ressaltou sua admiração pela medicina e pelas pessoas que se dedicam aos pacientes. “Eu acho a medicina linda. Essas descobertas, essas formas que eles encontram de ajudar o próximo. A empatia, o amor ao outro. Ajudar o ser humano. Eu acho isso muito lindo”, declara.

Setembro Verde Profissionais do Hospital Adventista Silvestre, instituição com trajetória em transplantes de órgãos (Foto: Priscila Pahim Lopes)

O procedimento ocorre durante o Setembro Verde, mês de conscientização sobre a importância da doação de órgãos. Para o diretor-geral do Hospital Adventista Silvestre, Cristian Denis da Silva, a realização reflete a preparação da equipe e a trajetória da instituição.

“Este momento vem para coroar nossa celebração dos 16 anos de pioneirismo nos transplantes hepáticos e renais, uma trajetória construída com ciência, experiência e, acima de tudo, compromisso com a vida”, afirma. Ele conclui dizendo: “E em pleno Setembro Verde, louvamos a Deus por mais esta conquista, mais um momento histórico ao realizarmos o primeiro transplante de intestino, abrindo um novo capítulo nessa trajetória."

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FONTE/CRÉDITOS: Rafael Brondani