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No sábado, 22 de agosto, a Avenida Paulista, em São Paulo, será novamente palco de uma grande mobilização contra a violência. A quinta edição da passeata do projeto Quebrando o Silêncio terá início às 15h e, neste ano, levará às ruas um alerta sobre a violência contra pessoas idosas. A concentração dos participantes começa às 14h30, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP).
Com o tema “Idosos em Risco – A violência que atinge quem mais precisa de cuidado”, o Quebrando o Silêncio 2026 destaca diferentes formas de abuso. Além disso, a campanha incentiva a denúncia e reforça a importância da proteção, do respeito e da valorização das pessoas idosas.
Manifestações em massa do projeto acontecem anualmente, sempre no quarto sábado de agosto (Foto: Adilson Alves).
Percurso
Durante a passeata, os participantes seguirão pela Avenida Paulista até a região da TV Gazeta. O percurso terá trio elétrico, fanfarras e músicas. Também contará com pelotões de Desbravadores, Aventureiros, crianças, adolescentes, jovens e famílias. Participantes do projeto Missão Calebe, Mulheres em Missão e pessoas idosas também integrarão a mobilização. Ao longo do trajeto, materiais da campanha serão utilizados para chamar a atenção de quem estiver na avenida.
Leia também:Para Telma Brenha, diretora do Ministério da Mulher da Igreja Adventista para o estado de São Paulo e coordenadora da passeata, a escolha do local amplia o alcance da mensagem. Assim, a informação pode chegar também a pessoas que vivem situações de violência e não sabem como buscar ajuda. “A campanha do Quebrando o Silêncio deste ano tem um tema extremamente importante e sensível. Estamos falando sobre a violência contra pessoas idosas”, afirma. Segundo ela, a vítima precisa compreender que pode buscar ajuda. “O idoso que está sofrendo abuso precisa entender que ele pode se manifestar, pedir socorro e pedir ajuda.”
Violência contra idososA escolha do tema deste ano acompanha uma transformação demográfica no Brasil. De acordo com o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país possui 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Esse número corresponde a 15,8% da população. Além disso, o grupo cresceu significativamente em pouco mais de uma década. Em comparação com o Censo de 2010, o número de brasileiros nessa faixa etária aumentou 56%.
Ao mesmo tempo em que a população envelhece, os registros de violações de direitos chamam a atenção. Segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), o Brasil recebeu mais de 92 mil denúncias entre janeiro e maio de 2026. No período, os registros somaram 536 mil violações de direitos contra pessoas idosas. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, houve aumento de aproximadamente 20 mil denúncias.
Público-alvo da campanha, idosos também participarão da manifestação deste ano (Foto: Adilson Alves).
Tipos de abuso
A violência contra idosos, no entanto, nem sempre deixa sinais aparentes. A revista Quebrando o Silêncio de 2026 apresenta diferentes tipos de abuso. Entre eles estão as violências psicológica, financeira, patrimonial, física, institucional e sexual. Além disso, negligência, abandono e fraudes digitais também podem colocar pessoas idosas em risco. A publicação ainda destaca situações menos evidentes. Isolamento, humilhações, controle de documentos e desrespeito às decisões do idoso são alguns exemplos.
Uma revisão sistemática publicada em 2025 na revista científica BMC Public Health reforça a dimensão do problema. O estudo analisou 94 pesquisas realizadas em 35 países e reuniu dados de mais de 776 mil participantes. Segundo os pesquisadores, 27,6% dos idosos analisados sofreram algum tipo de abuso. A violência emocional ou psicológica apareceu como a mais frequente, seguida pela negligência e pela exploração financeira.
Vínculos afetivosPor outro lado, muitos casos permanecem escondidos. Medo, dependência emocional ou financeira e isolamento podem dificultar a denúncia. Os vínculos afetivos com o agressor também contribuem para o silêncio, principalmente quando o abuso ocorre dentro de casa. A revista da campanha destaca que filhos, parentes, cuidadores e outras pessoas próximas podem cometer as agressões. No entanto, a violência também pode ocorrer fora do ambiente familiar.
Nesse cenário, Telma destaca a informação como uma das principais ferramentas de proteção. “Há mais de 20 anos, o projeto Quebrando o Silêncio busca educar, ensinar e esclarecer”, explica. Segundo ela, a campanha ajuda as vítimas a reconhecer a violência e conhecer os caminhos de proteção. “Ele ajuda as pessoas a entenderem que não merecem aquilo que estão passando. Além disso, mostra onde denunciar, onde procurar ajuda e com quem falar”, explica.
Telma Brenha coordena o projeto Quebrando o Silêncio no estado de São Paulo (Foto: Adilson Alves).
Edições da Passeata na Paulista
A mobilização de 2026 dá continuidade a uma iniciativa que ganhou força na Avenida Paulista nos últimos quatro anos.
A primeira passeata no local ocorreu em 2022. Naquele ano, cerca de 10 mil pessoas participaram da ação sobre violência psicológica. Já em 2023, a previsão de chuva não impediu a mobilização. Cerca de 15 mil participantes ocuparam a avenida para chamar a atenção para a violência obstétrica.
Em 2024, a terceira edição reuniu quase 20 mil pessoas. A campanha levou à Paulista mensagens de prevenção e combate ao abuso sexual infantil. Além disso, a mobilização reuniu participantes de várias regiões do estado e ganhou repercussão na imprensa. No ano seguinte, o movimento cresceu ainda mais. Em 2025, cerca de 30 mil pessoas participaram da quarta edição, segundo estimativa da Polícia Militar. Na ocasião, a iniciativa alertou sobre a violência digital e os riscos presentes na internet.
Expectativas para 2026Agora, na quinta edição, os organizadores querem ampliar ainda mais a visibilidade da campanha. A proposta é transformar a movimentação da Avenida Paulista em um novo chamado à conscientização. “As expectativas são de cumprir o objetivo deste ano: que mais pessoas saibam sobre a bandeira que estamos levantando em 2026”, destaca Telma. A coordenadora também espera sensibilizar a sociedade sobre a violência contra idosos. “Queremos trazer transformação para os lares, porque é nos lares onde muitas dessas situações acontecem”, acrescenta.
Além disso, a escolha da Avenida Paulista faz parte da estratégia de ampliar o alcance da mensagem. “A Paulista foi escolhida porque ali é o coração de São Paulo”, explica Telma. Segundo ela, um tema de grande relevância precisa ganhar espaço em um local igualmente representativo. “Quisemos estar em um lugar que faça sentido para a população paulista e paulistana, para dar voz a essa campanha”, completa.
Passeata de 2025 do projeto contou com a participação de 30 mil manifestantes na Paulista (Foto: Adilson Alves).
O projeto
Promovido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia desde 2002, o Quebrando o Silêncio é um programa educativo de prevenção e combate ao abuso e à violência doméstica realizado no Brasil e em outros sete países da América do Sul: Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai. Embora as iniciativas sejam desenvolvidas ao longo de todo o ano, a campanha tem como marco o quarto sábado de agosto, com palestras, fóruns, ações educativas e distribuição de materiais informativos.
O projeto busca conscientizar a população, orientar famílias sobre direitos e caminhos de proteção e incentivar vítimas ou pessoas próximas a romperem o silêncio e procurarem os órgãos competentes.
Como denunciar violência contra idososCasos de violência, negligência ou maus-tratos contra pessoas idosas podem ser denunciados pelo Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O serviço é gratuito, funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, e pode ser acionado tanto pela vítima quanto por familiares, vizinhos ou qualquer pessoa que tenha conhecimento da violação. A denúncia também pode ser feita de forma anônima.
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