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Participantes se reuném na plenária geral para compartilhar os principais pontos das trilhas temáticas e responder às perguntas dos participantes. (FOTO: arquivo pessoal)
Saúde mental, ciência e espiritualidade estiveram no centro das discussões do IntegralMente, primeiro Congresso de Saúde Mental, Ciência e Fé promovido pelos adventistas no norte da Bahia. Realizado nos dias 14 e 15 de agosto, na Igreja Adventista Central de Juazeiro, o encontro reuniu especialistas e participantes em palestras, rodas de conversa e trilhas temáticas voltadas ao cuidado integral.
A programação abordou questões relacionadas à ansiedade, relações tóxicas, compulsão alimentar, neurodivergência, inclusão, uso do ambiente digital e apoio às famílias de pessoas autistas. Além das palestras para o público geral, os participantes puderam escolher temas específicos para aprofundamento em grupos menores.
Para o pastor Diego Santos, líder de Saúde da Associação Bahia Norte e organizador do IntegralMente, ver o projeto se tornar realidade foi um momento de emoção.
“Quando o congresso começou na noite de sexta-feira, eu chorei. Nós sonhamos juntos como igreja e como associação, mas não é fácil realizar um congresso. Neste ano, em que o adventismo completa 80 anos nesta região, ouvimos que este foi o primeiro congresso de saúde mental com essa perspectiva para a igreja”, relata.
Para Santos, o caráter inédito do encontro também aponta para a necessidade de ampliar os espaços dedicados ao tema. “Não estamos pensando em fazer história. Estamos pensando no quanto ainda precisamos avançar”, acrescenta.
Saúde mental dentro da igreja
A abertura ocorreu na noite de sexta-feira (14), com a palestra “Quem é você nesse mundo doente?”, apresentada pelo médico psiquiatra Pablo Canalis.
Para o especialista, que realizou sua formação em Psiquiatria em Buenos Aires, na Argentina, levar discussões sobre saúde mental para o ambiente religioso contribui para enfrentar estigmas que ainda cercam o assunto.
“A saúde mental sofreu muito preconceito por muito tempo. Por isso, trabalhar essa questão dentro das igrejas, relacionando fé, espiritualidade e saúde mental, é fundamental”, afirma Canalis.
Ao longo do congresso, ele também acompanhou discussões sobre autismo, neurodivergência, compulsão alimentar, autoestima, sofrimento e ansiedade.
“Tivemos a oportunidade de conversar sobre vários desses assuntos e foi muito bom ver as pessoas ocupando as salas e participando. Também falamos sobre o sofrimento e sobre como Deus pode nos ajudar a enfrentá-lo”, relata.
Ciência e fé no cuidado integral
A relação entre conhecimento científico e espiritualidade esteve presente em diferentes momentos da programação. Para Vanessa Krominski, pós-doutora em Psicologia, compreender a saúde mental exige considerar o indivíduo para além de um diagnóstico isolado.
“Quando falamos de saúde mental, não estamos falando apenas de ansiedade ou depressão. Estamos falando de um contexto social, histórico, espiritual e biológico”, explica.
Dra. Vanessa Krominski conduz a trilha “Entre dois mundos: imersão digital, identidade e transtorno eletrônico”, durante o IntegralMente, em Juazeiro. (FOTO: arquivo pessoal)
Segundo Vanessa, o conhecimento científico também oferece recursos para que comunidades religiosas estejam mais preparadas para lidar com diferentes situações.
“Trazer a ciência para dentro do nosso contexto nos dá recursos não somente para acolher, mas também para colocar esse amor em prática com racionalidade, ciência e cuidado”, destaca.
Trilhas aprofundaram temas do cotidiano
Um dos destaques do IntegralMente foi a realização de seis trilhas simultâneas. Os participantes puderam acompanhar duas delas durante a programação, aprofundando assuntos relacionados à saúde emocional, comportamento e relacionamentos.
Entre os temas estiveram relações tóxicas; cuidado e esperança diante do sofrimento; impactos da imersão digital sobre identidade e comportamento; alimentação e emoções; compulsão alimentar; e a atuação da igreja como rede de apoio às famílias de pessoas autistas.
Uma das trilhas apresentou a Rede Adventista de Apoio à Família Autista (RAAFA). Para a neuropsicóloga Keiny Goular, fundadora da iniciativa, discutir o tema dentro das comunidades religiosas ajuda a preparar os membros para acolher famílias atípicas.
“A importância de trazer temas tão relevantes para dentro da nossa comunidade religiosa é despertar os membros para aquilo que podemos fazer para acolher, abraçar e amparar essas famílias atípicas”, afirma.
Dra. Keiny Goulart aborda inclusão durante palestra no IntegralMente, realizado na Igreja Adventista Central de Juazeiro. (FOTO: arquivo pessoal)
Para Keiny, esse acolhimento também faz parte da experiência espiritual da comunidade. “Queremos recebê-las dando a elas a oportunidade de encontrar a esperança de Cristo Jesus”, completa.
Ansiedade encerrou programação
Após dois dias de atividades, o congresso foi encerrado na tarde de sábado (15). Entre os últimos momentos da programação esteve uma palestra sobre ansiedade conduzida por Pablo Canalis.
O psiquiatra destacou a necessidade de ampliar o acesso às discussões realizadas durante o evento. Segundo ele, os conteúdos registrados poderão alcançar também quem não esteve presencialmente no congresso.
“É importante que isso seja espalhado, para que consigamos ajudar mais pessoas que não puderam chegar à igreja neste fim de semana, mas que depois poderão ter acesso a esse conteúdo”, afirma.
O pastor Carlos Ferreira, líder de Saúde da União Leste Brasileira e participante do encontro, também destacou o trabalho realizado para viabilizar a primeira edição.
“Em nome da União Leste Brasileira, queremos agradecer aos convidados, à administração da Associação Bahia Norte e, de maneira muito especial, ao pastor Diego, que colocou o coração neste congresso de saúde mental”, declara.
A realização do primeiro IntegralMente abriu espaço para que temas ligados à saúde emocional fossem discutidos a partir do diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e a espiritualidade. Para os organizadores, a proposta é contribuir para que igrejas, famílias e comunidades estejam mais preparadas para acolher, orientar e cuidar de pessoas que enfrentam desafios relacionados à saúde mental.
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