Martin Vieira, aluno do Colégio Adventista de Pelotas, levou a família a Cristo através de lições aprendidas na sala de aula. (Foto: Ronaldo Vicente)

Quando Martin Vieira chegou ao Colégio Adventista de Pelotas, em 2019, ele tinha apenas 5 anos. Matriculado no Pré 5, começou ali uma trajetória que, anos mais tarde, teria consequências que ninguém da família poderia imaginar. A princípio, ele era apenas uma criança iniciando a vida escolar. Para os pais, a escolha da instituição tinha uma motivação clara: oferecer ao filho uma educação baseada em princípios cristãos.

Com o tempo, porém, Martin passou a levar para casa muito mais do que as atividades e os conteúdos aprendidos em sala de aula. As histórias bíblicas, os ensinamentos sobre Deus e as orientações apresentadas pelos professores começaram a fazer parte das conversas da família. Até que, em determinado momento, o que ele estava aprendendo na escola passou a provocar mudanças concretas dentro de casa.

Já no Ensino Fundamental, Martin chegou em casa certo de que havia algo que a família precisava rever. O pai trabalhava com pescados e comercializava diferentes tipos de peixe. Depois de aprender na escola sobre as orientações bíblicas relacionadas aos alimentos, o menino percebeu que havia uma questão a ser resolvida.

Leia mais:

“Mãe, a gente tem que ver uma coisa que acontece na nossa casa”, disse ele. Martin explicou que, segundo o que havia aprendido, determinados peixes e a carne de porco não deveriam fazer parte da alimentação. A mãe, Viviane Vieira, ficou surpresa. Ela nunca havia estudado aquele assunto e decidiu procurar a professora para entender melhor. Logo após a reunião de pais, a professora abriu a Bíblia e mostrou os textos que tratavam do tema. 

A conversa despertou novos questionamentos na família, que também buscou orientação com o pastor da igreja que frequentava na época. O líder religioso disse que eles poderiam comer sem nenhuma preocupação, pois pela graça de Jesus, não havia mais nenhuma restrição.

“E aí eu conversei com o meu esposo em casa, porque o Martin ficou com aquilo no coraçãozinho dele, que ele não podia comer, que ele estaria desagradando a Deus. E aí a gente ficou com aquele impasse na família. E agora, comemos ou não comemos? E o Martin falava todos os dias, pai, a gente não pode comer”, relembra Viviane.

Mesmo diante das dúvidas dos adultos, Martin permaneceu firme naquilo que havia aprendido. Para ele, a questão não se limitava a comer ou não comer. Se a família não deveria consumir determinados alimentos, também não deveria comercializá-los. A insistência da criança fez com que os pais parassem para refletir. A família decidiu orar sobre o assunto e começou, pouco a pouco, a mudar alguns hábitos.

Martin e os irmãos Antonela e Benjamin passaram a estudar com os pastores escolares, enquanto Viviane iniciou as lições com a professora Cássia Xavier. O pai também estuda a bíblia e se prepara para o batismo. (Foto: Silas Hunter)

Mostrando o caminho

A história de Martin não foi marcada apenas por respostas. Foram as perguntas de uma criança que começaram a movimentar a família. Enquanto aprendia sobre a Bíblia na escola, os pais perceberam que os filhos desenvolviam uma compreensão espiritual que também precisava encontrar espaço dentro de casa.

A mudança ganhou força durante um Sábado da Educação promovido pela instituição. Na ocasião, o diretor falou sobre a importância de escola, igreja e família caminharem em sintonia. A mensagem levou os pais de Martin a perceber que havia um desalinhamento entre os ensinamentos que os filhos recebiam na escola e a experiência religiosa vivida pela família. A partir daquele momento, decidiram frequentar a Igreja Adventista.

Depois, vieram os estudos bíblicos. Martin e os irmãos passaram a estudar com os pastores da escola, enquanto Viviane iniciou as lições com a professora Cássia Xavier, que apresentou as verdades bíblicas ao filho.

“Eu ouvia a voz do Espírito Santo dizendo para apresentar Jesus a ela. Mas me perguntava como faria isso, pois eles eram atuantes na igreja que frequentavam e, para mim, não fazia muito sentido. Foi então que Deus me impressionou a falar com os pais sobre os Clubes de Desbravadores e Aventureiros. As crianças foram matriculadas, tornei-me mais próxima da mãe e iniciamos o estudo da Palavra do Senhor”, revela Cássia.

Viviane Vieira e Maiquel Vieira, pais do Martin, ajudam o filho com a lição de casa. (Foto: Silas Hunter)

Família transformada

Martin, que entrou na escola ainda pequeno, tornou-se um dos personagens centrais dessa transformação. Seus questionamentos, sua disposição para compartilhar o que aprendia e sua convicção diante dos pais foram abrindo caminhos para que toda a família conhecesse a Igreja Adventista.

Hoje, aos 11 anos, ele continua estudando na escola. Seus irmãos, Antonella e Benjamin, também fazem parte da instituição. A experiência de Martin revela uma dimensão especial da Educação Adventista: aquilo que uma criança aprende na escola pode ultrapassar os limites da sala de aula e chegar à família.

Para ele, uma aula pode terminar quando toca o sinal. Mas os ensinamentos recebidos continuam sendo vividos em casa. Foi assim que uma criança começou a fazer perguntas, levou os pais a abrirem a Bíblia e acabou contribuindo para uma mudança na trajetória espiritual de toda a família.

Viviane acredita que a história tem uma particularidade que jamais será esquecida. Ela e o marido escolheram a escola para que os filhos recebessem uma educação cristã. Mas, anos depois, perceberam que os próprios filhos estavam conduzindo os pais para uma experiência mais profunda com a fé. “Normalmente são os pais que levam os filhos, mas dessa vez foram os filhos que trouxeram os pais para essa verdade”, afirma Viviane.

Muito além do ensino

A diretora-geral da Educação Adventista no Litoral Norte e na região sul do Rio Grande do Sul, professora Mariângela Velleda, explica que a experiência vivenciada por Martin e sua família é algo comum no dia a dia da rede de ensino. Para ela, o relacionamento e o diálogo entre alunos e professores proporcionam oportunidades de estreitar os laços e apresentar o propósito principal da educação que é levar pessoas a Cristo.

“Nós temos projetos em nossas comunidades escolares, como a pastoral, por exemplo, que vêm ao encontro, também, de fortalecer relacionamentos. Isso pode impactar não somente a comunidade escolar mas também a sociedade como todo”, disse Velleda.

Já o pastor Tiago Fraga, presidente da Igreja Adventista no território da Associação Sul do Rio Grande do Sul (ASRS), lembra que a Educação Adventista tem o objetivo de formar crianças e adolescentes de forma integral. Para ele, isso envolve tanto o aspecto físico, emocional, espiritual e social, levando em conta que a família também é importante nesse processo.

“Tudo isso faz parte daquilo que nós como Educação Adventista procuramos proporcionar aos nossos alunos. O interesse não apenas pelo aprendizado das matérias, das disciplinas, mas a formação de pessoas, de seres humanos completos, íntegros que vão poder dar uma grande contribuição para nossa sociedade”, frisou Fraga. 

Martin Vieira se dedica ao estudo da Bíblia Sagrada e revela que tem o sonho de estudar teologia no futuro. (Foto: Ronaldo Vicente)

 

FONTE/CRÉDITOS: ronaldo.vicente