Flávio Bolsonaro diz que dinheiro pago por Vorcaro para filme foi para fundo de advogado do irmão Eduardo
Flávio nega que dinheiro do Master tenha sido enviado para Eduardo Bolsonaro
O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), disse nesta quinta-feira (14) que o dinheiro pedido ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, foi 'integralmente para filme' biográfico sobre seu pai e nega que tenha sido usado para financiar estadia do seu irmão, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos.
"Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados nesse fundo que é específico para a produção do filme foram usados integralmente para fazer o filme", afirmou o senador.
Segundo o Intercept Brasil, os recursos usados na produção do filme passaram pela empresa Entre Investimentos e Participações e pelo fundo Havengate Development Fund LP, registrado no Texas (EUA) e representado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
Flávio disse que considera natural a participação do advogado do irmão na operação.
"Para colocar de pé uma estrutura dessa, criar um fundo, cuidar das questões legais, de burocracia, você tem que contratar um advogado, um advogado de confiança do Eduardo, alguém que cuidou de todo o seu processo de green card. Está dentro do contexto do filme. O advogado é gestor do fundo também."
Flávio disse que seu papel era buscar investidores para o filme "Dark Horse".
"Minha participação foi buscar investidores para colocar de pé um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, meu pai, uma pessoa que está passando por uma grande perseguição e foi vítima de uma farsa por meio de uma corte, e é meu sonho fazer com que a história de vida dele, que é emocionante, seja uma homenagem em forma de filme".
"Todos os recursos que foram aportados nesse fundo, que é específico para esse filme, são integralmente utilizados para fazer o filme", disse o pré-candidato sobre as acusações de que o dinheiro enviado por Vorcaro foi usado para financiar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro está morando nos EUA desde fevereiro de 2025. Nesse período, Eduardo realizou viagens internacionais, encontrando-se com políticos de direita e recebendo visitas de políticos brasileiros, como o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), que foi indicado como candidato ao Senado por São Paulo na última semana.
Flávio ainda disse que "se algum dinheiro foi para um advogado", seria porque o advogado em questão é o responsável por gerir o fundo de investimento que capitalizava dinheiro para o filme.
"Fui buscar investimento privado para um filme em homenagem ao meu próprio pai", seguiu o pré-candidato para explicar por que buscou o banqueiro dono do Master.
"Eu não tenho nenhum contato com Daniel Vorcaro, a não ser para tratar de filme. As conversas mostram isso", segue o senador.
Questionado sobre a linguagem coloquial usada nas mensagens trocadas com Vorcaro, o senador argumentou que usar termos como "mermão" faz parte do linguajar carioca e que não significa intimidade com Vorcaro.
"Irmão, mermão é uma expressão que a gente usa para cumprimentar, até para pedir um coco na praia. É igual guri no Rio Grande do Sul, piá no Paraná, mano em São Paulo. Não tem por que querer empurrar goela abaixo uma intimidade que não tenho".
Áudio entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
Na última quarta-feira (13), o site Intercept Brasil divulgou, e a TV Globo confirmou, um áudio entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro dono do Master, Daniel Vorcaro, em que o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro aparece pedindo dinheiro para financiar o filme "Dark Horse", cinebiografia sobre seu pai.
O banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões. Segundo informações confirmadas pela TV Globo, parte dos pagamentos determinados por Vorcaro foi feita por meio de uma empresa chamada Entre Investimentos e Participações, vinculada ao banqueiro. Segundo o site, a empresa é mencionada em mensagens trocadas sobre o tema entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel.
Na mensagem de áudio enviada por Flávio a Vorcaro em 8 de setembro de 2024, o senador diz entender que o banqueiro passava por um "momento dificílimo" – poucos dias antes, em 3 de setembro de 2024, a compra do Master pelo BRB havia sido rejeitada pelo Banco Central – e que ficava "sem graça" de cobrar, mas pedia uma posição de Vorcaro sobre pagamentos pendentes.
"Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme", diz o senador nas mensagens.
Muitos dos contatos envolviam ligações telefônicas e mensagens com imagens de visualização única. Em 16 de novembro, após o envio de duas dessas mensagens, Flávio diz:
"Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!"
Vorcaro responde com uma mensagem de visualização única, ao que Flávio reage: "Amém".
Fraudes do Master podem chegar a R$ 12 bilhões
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a Polícia Federal (PF).
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, enquanto embarcava para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, no Aeroporto de Guarulhos, usando um de seus aviões particulares.
A prisão foi o começo das investigações sobre uma rede que envolve fraudes bilionárias, corrupção de servidores públicos e até o uso de uma "milícia privada" para intimidar opositores.
Nesta quinta-feira (14), a PF deflagrou a sexta fase da operação. Desta vez, o alvo principal é o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro. Preso preventivamente em Belo Horizonte, ele é acusado de ser um dos chefes da "Turma", grupo que realizava atividades ilícitas para o banqueiro.




COMENTÁRIOS