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Canoas RS,14/05/2026

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Muitos falam do El Niño no RS, mas afinal o que é? Como o fenômeno se forma e por que ele preocupa tanto em 2026

agenciagbc.com
Muitos falam do El Niño no RS, mas afinal o que é? Como o fenômeno se forma e por que ele preocupa tanto em 2026

O termo “El Niño” voltou a dominar as conversas no Rio Grande do Sul depois que órgãos de meteorologia passaram a alertar para uma alta chance de formação do fenômeno no segundo semestre de 2026. E, depois das enchentes históricas que atingiram o estado nos últimos anos, muita gente ficou com medo só de ouvir esse nome.





Mas afinal: o que realmente é o El Niño? Por que ele acontece? Ele aparece de quanto em quanto tempo? E por que o Rio Grande do Sul costuma sofrer tanto quando esse fenômeno aparece?





A resposta começa bem longe daqui: no Oceano Pacífico.





O que é o El Niño?





O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e muda o comportamento da atmosfera em várias partes do planeta.









Mesmo acontecendo no oceano, ele interfere diretamente nas chuvas, temperaturas, secas e tempestades em diversos países (incluindo o Brasil).





A mancha em vermelho que vai em direção ao Brasil é a formação do El Niño capturada por imagens de satélite. (Foto: ESA/reprodução)




Na prática, é como se o clima do planeta inteiro “desregulasse” temporariamente.





Por que o El Niño no RS preocupa tanto?





No Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, o El Niño costuma aumentar o volume de chuva e a frequência de temporais.





RS durante a última grande enchente em maio de 2024.




Isso acontece porque o fenômeno altera os corredores de umidade da atmosfera, favorecendo:






  • chuvas persistentes;




  • temporais mais intensos;




  • aumento do risco de enchentes;




  • alagamentos;




  • granizo;




  • deslizamentos;




  • rios acima da média.





Foi justamente um cenário parecido que ajudou a agravar os eventos extremos registrados no RS em 2023 e 2024.





Esquina das ruas Amazonas e Rio Grande do Sul no bairro Mathias Velho, Canoas, em maio de 2024. (Foto: Guilherme Galhardo/Agência GBC).








Como o El Niño se forma?





O processo acontece em etapas.





Normalmente, os ventos alísios (ventos constantes e regulares que sopram durante todo o ano, de leste para oeste, das zonas de alta pressão – trópicos – em direção à zona de baixa pressão no equador) empurram as águas quentes do Pacífico em direção à Ásia e à Oceania. Enquanto isso, águas mais frias sobem perto da América do Sul.





Mas durante o El Niño, esses ventos enfraquecem.





Com isso:






  • as águas quentes ficam acumuladas na região central e leste do Pacífico;




  • a temperatura do oceano sobe acima do normal;




  • a atmosfera muda seu comportamento;




  • o clima começa a sofrer alterações em várias partes do mundo.





Os cientistas consideram oficialmente um El Niño quando a temperatura do Pacífico fica pelo menos 0,5°C acima da média por vários meses consecutivos.









De quanto em quanto tempo o El Niño acontece?





O fenômeno não tem uma data fixa para aparecer.





Em geral, ele ocorre em intervalos de 2 a 7 anos, podendo durar vários meses ou até mais de um ano.





Alguns episódios são fracos. Outros acabam sendo extremamente intensos e provocam impactos históricos.





Especialistas explicam que as mudanças climáticas podem estar deixando os eventos mais severos e imprevisíveis.





Qual é a diferença entre El Niño e La Niña?





Muita gente confunde os dois fenômenos.





Eles fazem parte do mesmo sistema climático chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul), mas funcionam de maneira oposta.





El Niño






  • aquecimento das águas do Pacífico;




  • mais chuva no Sul do Brasil;




  • mais calor em várias regiões;




  • maior risco de temporais extremos no RS.





La Niña






  • resfriamento das águas do Pacífico;




  • menos chuva no Sul;




  • maior risco de estiagem e seca;




  • frio mais frequente em algumas regiões.





Enquanto o El Niño costuma trazer excesso de chuva para o Rio Grande do Sul, a La Niña geralmente aumenta o risco de falta de água.





Quando o El Niño no RS deve começar?





Segundo projeções divulgadas por órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e a NOAA, dos Estados Unidos, as chances de formação do El Niño aumentam bastante entre julho e agosto de 2026.





As previsões mais recentes apontam:






  • cerca de 60% de chance entre maio e julho;




  • quase 80% entre julho e setembro;




  • mais de 90% no final de 2026.





Os especialistas ainda não conseguem afirmar qual será a intensidade do fenômeno, mas já alertam que o segundo semestre pode ter chuva acima da média no Rio Grande do Sul.





Isso significa que o RS terá outra tragédia?





Não necessariamente.





Meteorologistas explicam que o El Niño aumenta o risco de eventos extremos, mas não significa automaticamente que haverá enchentes iguais às de 2024.





(Foto: Guilherme Galhardo/Agência GBC)




Tudo depende de vários fatores ao mesmo tempo, como:






  • quantidade de chuva acumulada;




  • condição dos rios;




  • solo encharcado;




  • atuação de frentes frias;




  • bloqueios atmosféricos;




  • infraestrutura das cidades.





Mesmo assim, especialistas defendem que estados e municípios se preparem com antecedência, especialmente em áreas historicamente vulneráveis.





Por que o nome “El Niño”?





O nome surgiu entre pescadores do Peru e do Equador há muitos anos.





Eles perceberam que as águas do Pacífico ficavam mais quentes perto do Natal e associaram o fenômeno ao “Menino Jesus”, por isso o nome “El Niño”, que significa “o menino” em espanhol.





Com o tempo, o termo passou a ser usado pela ciência para definir oficialmente o fenômeno climático.





O que os especialistas recomendam?





Diante da possibilidade de um novo El Niño no RS, os especialistas recomendam:






  • acompanhar alertas meteorológicos;




  • limpar calhas e sistemas de drenagem;




  • evitar construções em áreas de risco;




  • reforçar planos de emergência;




  • preparar sistemas de defesa civil;




  • monitorar rios e barragens.





A orientação é não entrar em pânico, mas também não ignorar os sinais.





Nos próximos meses, o comportamento do Oceano Pacífico será acompanhado diariamente por centros meteorológicos do mundo inteiro. E, dependendo da evolução das temperaturas, novos alertas podem surgir para o Sul do Brasil.


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