Muitos falam do El Niño no RS, mas afinal o que é? Como o fenômeno se forma e por que ele preocupa tanto em 2026
O termo “El Niño” voltou a dominar as conversas no Rio Grande do Sul depois que órgãos de meteorologia passaram a alertar para uma alta chance de formação do fenômeno no segundo semestre de 2026. E, depois das enchentes históricas que atingiram o estado nos últimos anos, muita gente ficou com medo só de ouvir esse nome.
Mas afinal: o que realmente é o El Niño? Por que ele acontece? Ele aparece de quanto em quanto tempo? E por que o Rio Grande do Sul costuma sofrer tanto quando esse fenômeno aparece?
A resposta começa bem longe daqui: no Oceano Pacífico.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e muda o comportamento da atmosfera em várias partes do planeta.
Mesmo acontecendo no oceano, ele interfere diretamente nas chuvas, temperaturas, secas e tempestades em diversos países (incluindo o Brasil).

Na prática, é como se o clima do planeta inteiro “desregulasse” temporariamente.
Por que o El Niño no RS preocupa tanto?
No Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, o El Niño costuma aumentar o volume de chuva e a frequência de temporais.

Isso acontece porque o fenômeno altera os corredores de umidade da atmosfera, favorecendo:
- chuvas persistentes;
- temporais mais intensos;
- aumento do risco de enchentes;
- alagamentos;
- granizo;
- deslizamentos;
- rios acima da média.
Foi justamente um cenário parecido que ajudou a agravar os eventos extremos registrados no RS em 2023 e 2024.

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Como o El Niño se forma?
O processo acontece em etapas.
Normalmente, os ventos alísios (ventos constantes e regulares que sopram durante todo o ano, de leste para oeste, das zonas de alta pressão – trópicos – em direção à zona de baixa pressão no equador) empurram as águas quentes do Pacífico em direção à Ásia e à Oceania. Enquanto isso, águas mais frias sobem perto da América do Sul.
Mas durante o El Niño, esses ventos enfraquecem.
Com isso:
- as águas quentes ficam acumuladas na região central e leste do Pacífico;
- a temperatura do oceano sobe acima do normal;
- a atmosfera muda seu comportamento;
- o clima começa a sofrer alterações em várias partes do mundo.
Os cientistas consideram oficialmente um El Niño quando a temperatura do Pacífico fica pelo menos 0,5°C acima da média por vários meses consecutivos.
De quanto em quanto tempo o El Niño acontece?
O fenômeno não tem uma data fixa para aparecer.
Em geral, ele ocorre em intervalos de 2 a 7 anos, podendo durar vários meses ou até mais de um ano.
Alguns episódios são fracos. Outros acabam sendo extremamente intensos e provocam impactos históricos.
Especialistas explicam que as mudanças climáticas podem estar deixando os eventos mais severos e imprevisíveis.
Qual é a diferença entre El Niño e La Niña?
Muita gente confunde os dois fenômenos.
Eles fazem parte do mesmo sistema climático chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul), mas funcionam de maneira oposta.
El Niño
- aquecimento das águas do Pacífico;
- mais chuva no Sul do Brasil;
- mais calor em várias regiões;
- maior risco de temporais extremos no RS.
La Niña
- resfriamento das águas do Pacífico;
- menos chuva no Sul;
- maior risco de estiagem e seca;
- frio mais frequente em algumas regiões.
Enquanto o El Niño costuma trazer excesso de chuva para o Rio Grande do Sul, a La Niña geralmente aumenta o risco de falta de água.
Quando o El Niño no RS deve começar?
Segundo projeções divulgadas por órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e a NOAA, dos Estados Unidos, as chances de formação do El Niño aumentam bastante entre julho e agosto de 2026.
As previsões mais recentes apontam:
- cerca de 60% de chance entre maio e julho;
- quase 80% entre julho e setembro;
- mais de 90% no final de 2026.
Os especialistas ainda não conseguem afirmar qual será a intensidade do fenômeno, mas já alertam que o segundo semestre pode ter chuva acima da média no Rio Grande do Sul.
Isso significa que o RS terá outra tragédia?
Não necessariamente.
Meteorologistas explicam que o El Niño aumenta o risco de eventos extremos, mas não significa automaticamente que haverá enchentes iguais às de 2024.

Tudo depende de vários fatores ao mesmo tempo, como:
- quantidade de chuva acumulada;
- condição dos rios;
- solo encharcado;
- atuação de frentes frias;
- bloqueios atmosféricos;
- infraestrutura das cidades.
Mesmo assim, especialistas defendem que estados e municípios se preparem com antecedência, especialmente em áreas historicamente vulneráveis.
Por que o nome “El Niño”?
O nome surgiu entre pescadores do Peru e do Equador há muitos anos.
Eles perceberam que as águas do Pacífico ficavam mais quentes perto do Natal e associaram o fenômeno ao “Menino Jesus”, por isso o nome “El Niño”, que significa “o menino” em espanhol.
Com o tempo, o termo passou a ser usado pela ciência para definir oficialmente o fenômeno climático.
O que os especialistas recomendam?
Diante da possibilidade de um novo El Niño no RS, os especialistas recomendam:
- acompanhar alertas meteorológicos;
- limpar calhas e sistemas de drenagem;
- evitar construções em áreas de risco;
- reforçar planos de emergência;
- preparar sistemas de defesa civil;
- monitorar rios e barragens.
A orientação é não entrar em pânico, mas também não ignorar os sinais.
Nos próximos meses, o comportamento do Oceano Pacífico será acompanhado diariamente por centros meteorológicos do mundo inteiro. E, dependendo da evolução das temperaturas, novos alertas podem surgir para o Sul do Brasil.
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