Participantes viveram uma tarde aprendizado e prevenção (Foto: Vitória Sousa)

No último fim de semana, igrejas adventistas de todo o sul do Maranhão participaram das ações do projeto Quebrando o Silêncio. Em 2026, a campanha apresenta o tema “Idosos em Risco: a violência que atinge quem mais precisa de cuidado” e alerta para situações que comprometem a segurança e a dignidade da pessoa idosa.

Em Imperatriz, a programação incluiu um congresso no sábado (22) e uma feira de saúde no domingo (23). Enquanto isso, as igrejas dos demais distritos promoveram palestras, homenagens e mobilizações em escolas e espaços públicos.

Realizado anualmente pela Igreja Adventista, o Quebrando o Silêncio desenvolve ações educativas de prevenção ao abuso e à violência. Nesta edição, a campanha orienta a população a identificar agressões que nem sempre deixam marcas aparentes, como a violência psicológica e a financeira. Além disso, aborda situações de negligência e abuso patrimonial.

Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos apresentados no Senado Federal mostram que o Brasil registrou mais de 92 mil denúncias de violência contra pessoas idosas até 1º de junho de 2026. O número reforça a importância de orientar a população a reconhecer os abusos e procurar ajuda.

Congresso promove orientações sobre autonomia e proteção na terceira idade (Foto: Vitória Sousa)

Envelhecimento mais seguro

Profissionais conduziram palestras e responderam dúvidas (Foto: Vitória Sousa)

Cerca de 350 pessoas participaram do 1º Congresso da Terceira Idade, realizado no sábado no Colégio Adventista de Imperatriz (CADI). Com o tema “Frutificando em Todo Tempo”, o evento recebeu profissionais das áreas de geriatria, psicologia e direito. Marília Dantas, líder do Quebrando o Silêncio na UNB, também participou da programação.

Entre as palestrantes estava Iza Bezerra, médica de família com pós-graduação em geriatria. Ela explicou que um envelhecimento seguro depende da preservação da autonomia da pessoa idosa e de uma rotina de cuidados com a saúde. Nesse processo, a prática de atividades físicas contribui para manter a mobilidade e prevenir limitações relacionadas ao avanço da idade.

Iza também destacou que a violência não se manifesta apenas por meio de agressões físicas. Segundo a médica, algumas situações surgem dentro da própria família e acabam tratadas como parte normal da convivência.

Um dos exemplos apresentados foi a sobrecarga de avós que assumem continuamente a criação dos netos. Quando essa responsabilidade ocupa o tempo que a pessoa idosa deveria dedicar à própria saúde, ao descanso e às suas escolhas, a situação pode se tornar uma forma de violência psicológica.

Maria de Fátima, aposentada, foi uma das participantes ouvidas pela reportagem durante o congresso. Ao compartilhar sua percepção sobre os assuntos apresentados, ela ajudou a aproximar o conteúdo das palestras das experiências vividas pelas pessoas idosas.

No dia seguinte, uma feira de saúde deu continuidade às atividades. O público recebeu atendimento de nutricionista, geriatra, clínico geral e fisioterapeuta. A equipe também realizou testes de glicemia, bioimpedância e aferição da pressão arterial, além de oferecer orientações para prevenir quedas dentro de casa.

Avaliação de saúde contribui para um envelhecimento mais seguro (Foto: Vitória Sousa)

Ao todo, 65 pessoas receberam atendimento. Os serviços terão continuidade no dia 30 de agosto, quando a programação também oferecerá atendimento com cardiologista.

Atendimento espcifico para idosos (Foto: Jhonata Carneiro) Leia também:

Mobilização em massa

Mobilização pública convoca a comunidade a enfrentar a violência contra idosos (Foto: Arquivo pessoal)

Além das ações realizadas em Imperatriz, o Quebrando o Silêncio alcançou todos os distritos da região sul do Maranhão. Cada comunidade preparou atividades de acordo com a realidade local.

Algumas igrejas organizaram piqueniques e cafés da manhã acompanhados de palestras. Em outras localidades, chás reuniram pessoas idosas e familiares para conversar sobre proteção, respeito e prevenção à violência.

A campanha também chegou às escolas, onde estudantes receberam orientações sobre o respeito e o cuidado com a pessoa idosa. No sábado pela manhã, as igrejas realizaram homenagens que reconheceram a trajetória dos idosos e sua contribuição para a comunidade.

Encontro reúne gerações em torno do respeito à pessoa idosa (Foto: Arquivo Pessoal)

Além disso, ações em formato de blitz levaram o Quebrando o Silêncio às ruas. Durante as mobilizações, os voluntários distribuíram materiais informativos e apresentaram cartazes com mensagens de conscientização.

Segundo Vanessa Barros, coordenadora do projeto para o sul do Maranhão, a própria vítima nem sempre percebe a violência.

“A violência muitas vezes acontece de forma velada e parte de quem menos se espera. Muitas pessoas nem sequer sabem que estão sendo violentadas, principalmente quando se trata de violência emocional ou financeira”, afirmou.

Ainda de acordo com Vanessa, o Quebrando o Silêncio ajuda a vítima a reconhecer o abuso. Ao mesmo tempo, a campanha encoraja quem presencia uma situação de violência a denunciar ou procurar uma forma segura de proteger a pessoa idosa.

A população pode fazer denúncias pelo Disque 100. O serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania funciona gratuitamente, de forma sigilosa e durante 24 horas por dia, inclusive nos fins de semana e feriados.

FONTE/CRÉDITOS: Amanda Talita