Como o Rio Grande do Sul está atualmente no cenário nacional do voleibol? Como o trabalho com os jovens atletas deve ser feito em relação à cobrança e exigência em competições? Estes foram alguns dos tópicos abordados durante o início do “O Legado”, projeto que divulga a história e toda a experiência de Josenildo Carvalho, o Jô, lendário treinador da modalidade.
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O primeiro encontro aconteceu em Sapiranga, no Espaço Fly.Hub, com a presença de Gustavo Endres, campeão olímpico com a seleção brasileira, e Carlos Cimino, atual presidente da Federação Gaúcha de Voleibol (FGV). O diálogo, conduzido para dezenas de fãs do vôlei e entusiastas do meio esportivo, trouxe compartilhamento de visões de quem há décadas acompanha a modalidade e enxerga os atalhos para o desenvolvimento de bons esportistas.

“Para mim é uma surpresa estar como está, com dificuldade de trabalhar com a criançada. Tem que haver uma modificação do treino, deixar de ser competitivo com uma idade que não suporta isso”, avalia o Josenildo. Gustavo Endres, atual coordenador técnico da Associação dos Pais e Amigos do Voleibol (Apav) de Canoas, corrobora com a relevância do esporte no desenvolvimento de crianças e adolescentes, oferecendo a leitura de quem hoje atua com o público jovem:

“O que eu tenho visto é que estamos tendo um momento nos últimos dois anos, uma procura por projetos, escolinhas e clubes de vôlei. Vivemos um momento muito bacana nesse sentido, onde os pais, também, estão vindo atrás, participando desta parte da vida dos seus atletas, dos seus filhos”, afirma.

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Na visão de Cimino, o trabalho para a formação de jogadores no RS tem sido feito de forma exemplar. “Hoje, o RS é referência nacional nas categorias de base, prova disso é que temos exportado jogadores para todas as equipes do Brasil. Isso significa que o trabalho de base que fazemos no Rio Grande do Sul é bastante significativo”, afirma.

Depois dessa primeira atividade, o diálogo chega a Campo Bom nesta quinta (10) e sexta-feira (11). Direto do Ginásio da Artecola, Josenildo aborda a atual situação do voleibol com treinadores e atletas de equipes femininas e masculinas, em cada um dos dias.

Carinho pelo RS e mudanças no esporte

Mais uma vez pelo Rio Grande do Sul, o professor Jô brincou sobre a relação com o estado pouco antes do início da palestra. “Eu conheço mais o RS do que minha terra, Pernambuco. Eu só vivo aqui: ministrando cursos, antes vinha com o Banespa (como treinador). Então, sempre estava aqui”, situa.

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Para o ex-treinador, o início do novo projeto traz reflexões importantes sobre as mudanças que acompanham o esporte de forma geral, neste caso, com o voleibol. “Para mim é um pontapé inicial para fazermos uma difusão, uma atualização por todo o estado. Voleibol, assim como qualquer modalidade esportiva, a cada 4/6 anos você tem que estar estudando o que houve de modificação de conhecimentos, principalmente da área médica”, opina.

Categorias de base precisam de atenção

Figurinha carimbada nas convocações da seleção durante anos no Século XXI, Gustavo Endres também comentou sobre a atual fase da amarelinha no evento. “Vemos que a seleção feminina está muito bem, brigando por títulos a nível mundial, e masculina está passando por um momento muito difícil. Esperamos que tenha uma renovação maior, porque esse grupo está sofrendo demais e perdendo lugares que não deveria perder no cenário mundial”.

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A perspectiva é reforçada pelo presidente da FGV, que relembra o investimento nas categorias de base como fator determinante para resultados positivos no futuro, uma vez que entende a existência de uma defasagem nesse setor em outros estados brasileiros. “As categorias de base nacionais não têm apresentado bons resultados. Temos, junto a CBV, insistido para que o planejamento nas categorias de base seja modificado, um investimento maior. Hoje, o investimento da CBV nas federações estaduais representa 1,43% do orçamento, isso significa que estamos deixando de investir na base”, comenta, mencionando que a consequência nos ciclos subsequentes costumam trazer problemas.

Investimentos abaixo do esperado

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Carlos Cimino, presidente da entidade que rege a modalidade no Rio Grande do Sul, também desabafou sobre o baixo investimento recebido pelas entidades públicas ao esporte. “Quando tínhamos quatro equipes na Superliga, a LIC (Lei de Incentivo ao Esporte) era maravilhosa no aspecto de contribuir na formatação. O teto era R$ 2,5 milhões. hoje é R$ 500 mil. Temos que analisar todo esse cenário e isso faz com que hoje não tenhamos equipes na Superliga. Precisa-se trabalhar na AL, para modificar a lei e torcer para que o estado volte a ter boas safras e que daí o empresariado volte a investir no esporte”, declara.

FONTE/CRÉDITOS: five.integracao