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Canoas RS,16/05/2026

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Ciro Gomes lança pré-candidatura ao governo do Ceará e diz que vai convidar Roberto Claudio para vice

g1.globo.com
Ciro Gomes lança pré-candidatura ao governo do Ceará e diz que vai convidar Roberto Claudio para vice


Ciro Gomes lança pré-candidatura ao governo do Ceará
Fabiane de Paula
O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) lançou, neste sábado (16), a pré-candidatura ao Governo do Ceará nas eleições de 2026. O anúncio foi feito em evento com apoiadores e líderes políticos no bairro Conjunto Ceará, em Fortaleza.
Ciro chegou ao local do evento, o Centro Educacional Evandro Ayres de Moura, acompanhado da esposa e de apoiadores. Durante seu discurso, ele citou diversas vezes que é "leal e grato" e fez diversas críticas à atual gestão do governo do Ceará.
O pré-candidato anunciou também que convidará o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio, para ser o candidato a vice-governador em sua chapa. Ciro disse ainda que Capitão Wagner deve concorrer ao Senado Federal e afirmou que Pastor Alcides é o nome indicado pelo PL.
Antes do discurso de Ciro, foram exibidos vídeos de apoiadores como Mauro Filho e Capitão Wagner. No evento, Tasso Jereissati falou antes do pré-candidato e reforçou que Ciro recusou um convite para ser candidato à presidência da República e estava aceitando disputar o governo do Ceará.
"Ele (o Ceará) deve ser liderado e conduzido pelo povo cearense. Em função disso, quando eu vi que Ciro Gomes estava disposto a renunciar a um convite para ser novamente candidato à Presidência da República, decisão esta que presenciei, (o convite) feito pelo presidente de seu partido, o PSDB, que lhe ofereceu a candidatura, Ciro, com característica que também não existe mais, bastante apaixonada, disse "não, o Meu lugar é no Ceará", disse Tasso.
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A candidatura de Ciro Gomes ao governo do estado ainda precisa ser confirmada em convenção estadual do partido, que deve ocorrer até agosto.
Críticas a atual gestão
O discurso de Ciro foi marcado por críticas à atual gestão. Ele disse que vai resolver o problema da segurança, falou que o número atual de delegados é o mesmo há 10 anos.
"As facções tomaram conta do Estado. O Ceará subiu para um dos primeiros estados do Brasil no cometimento de crimes. Sabe quantos delegados de polícia foram contratados nos últimos dez anos por esses frouxos que governam o Ceará? Nenhum", afirmou.
O pré-canditato também falou de saúde e disse que está estudando muito para "resolver os problemas".
Ciro foi governador do Ceará em 1990
Esta será a segunda vez que Ciro concorre ao Governo do Ceará. Na primeira vez, em 1990, ele foi eleito, mas deixou o cargo em 1994 para virar ministro da Fazenda do governo do presidente Itamar Franco.
Ciro deve enfrentar nas urnas o representante do grupo político atualmente no poder - e do qual ele mesmo fez parte no passado. Atualmente, o grupo é encabeçado pelo senador e ex-ministro da Educação, Camilo Santana (PT), e pelo irmão de Ciro, o senador e ex-governador do Ceará, Cid Gomes (PSB).
A trajetória do grupo começou em 2006, após a eleição de Cid para o Governo do Ceará. Cid cumpriu dois mandatos e elegeu o sucessor, Camilo Santana. Ao fim do segundo mandato de Camilo, em 2022, o grupo rachou durante a decisão do nome que seria lançado ao governo naquele ano.
O nome defendido por Ciro, do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, acabou prevalecendo, mas causou o rompimento entre o PDT de Ciro e o PT de Camilo Santana. O candidato lançado pelos petistas, Elmano de Freitas, acabou eleito, em derrota para Ciro. Agora, quatro anos depois, Ciro e Elmano podem se enfrentar nas urnas.
Trajetória política
Nascido em 1957 em Pindamonhangaba (SP), filho do cearense José Euclides Júnior, Ciro veio para Sobral (CE), cidade natal de seu pai, em 1961. O pai virou prefeito de Sobral, uma das maiores cidades do Ceará, em 1976. Ele permaneceu no cargo até 1983.
Ciro foi eleito deputado estadual em 1982, com apoio do pai. A partir daí, sua carreira política seguiu uma trajetória ascendente. Em 1988, ele concorreu à Prefeitura de Fortaleza, capital do estado, e foi eleito. Passou pouco tempo no cargo, tomou posse em 1989 e, em 1990, concorreu ao governo do Ceará e foi eleito governador.
Ele permaneceu no cargo até 1994, quando foi indicado ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco. Ele permaneceu como ministro por quatro meses, até o fim do governo de Itamar. Em 1998, concorreu pela primeira vez à Presidência da República e obteve 10,97% dos votos. Em 2002, foi candidato de novo e ficou com 11,97% dos votos.
Nos anos seguintes, foi ministro da Integração Nacional do primeiro governo Lula. Ele ficou no ministério até 2006, quando saiu para concorrer a deputado federal pelo Ceará. Ele foi o deputado mais votado do estado naquele ano, com mais de 660 mil votos.
Naquele mesmo ano, seu irmão, o então prefeito de Sobral e hoje senador, Cid Gomes, foi eleito governador do Ceará, marcando o início do grupo político que está até hoje no poder no Ceará, e que agora Ciro quer desafiar nas eleições de 2026.
Em 2015, foi presidente da Transnordestina, mas deixou a função no ano seguinte após o impeachment de Dilma Rousseff. Em 2018, Ciro concorreu à Presidência da República pela terceira vez e ficou com 12,47% dos votos, sua melhor votação. Em 2022, quando concorreu novamente, obteve 3,04% dos votos.
Rompimento com irmão
Irmãos Cid e Ciro Gomes estão brigados publicamente desde 2022.
Fabiane de Paula/Thiago Gadelha
Em 2022, a coesão do grupo Ferreira Gomes ruiu durante o processo de escolha do sucessor de Camilo. Bem-avaliado, o petista deixou o cargo de governador em abril para poder concorrer ao Senado. Com a saída de Camilo, sua vice, Izolda Cela (até então PDT, hoje sem partido), assumiu o governo cearense.
Parte da aliança defendia que Roberto Claudio, ex-prefeito de Fortaleza, era o melhor nome para disputar o governo do estado contra o Capitão Wagner (União), que aparecia à frente nas pesquisas. Ciro integrava este grupo. Outra parte da aliança defendia que Izolda, no exercício do cargo de governadora, teria o direito natural de concorrer à eleição. Camilo e Cid integravam este grupo.
Em 2022, a escolha do nome que iria concorrer ao governo do Ceará pela aliança estadual forjada pelos Ferreira Gomes também foi influenciada pela corrida presidencial, na qual Ciro Gomes era um dos concorrentes.
Cid apoiava Izolda, mas não se envolveu na disputa para não se opor publicamente a Ciro, que estava articulando sua candidatura presidencial a nível nacional. A partir da decisão do PDT, bancada por Ciro, o grupo rompeu. Cid e Ciro também.
O resultado das eleições municipais de 2024 - a primeira após a briga dos irmãos - marcou a quebra do ciclo de quase três décadas do grupo político da família Ferreira Gomes no poder em Sobral. O deputado estadual Oscar Rodrigues (União Brasil) derrotou a ex-secretária-executiva do Ministério da Educação e aliada do clã, Izolda Cela (PSB), sendo eleito prefeito com 52,42% dos votos.
O grupo político alinhado com os Ferreira Gomes estava no poder na cidade desde 1997, quando Cid Gomes assumiu a gestão municipal. Depois dele, vieram os aliados Leônidas Cristino, Veveu Arruda (marido de Izolda Cela) e Ivo Gomes, irmão de Cid e Ciro. O empresário Oscar Rodrigues foi o primeiro opositor, em 32 anos, a vencer o grupo político familiar em Sobral.
Retorno ao PSDB
Tanto em 1990 quanto agora, Ciro concorre ao governo estadual pelo PSDB. Mas entre uma candidatura e outra, o ex-ministro passou por diversos partidos: quando começou a carreira como deputado estadual, em 1983, era do PMDB, e foi eleito prefeito de Fortaleza pelo partido.
Em 1990, ingressou no PSDB, pelo qual foi eleito governador do Ceará - o único governador do PSDB eleito naquele ano. Em 1996, ingressou no então PPS para concorrer à presidência em 1998.
Em 2005, ele se filiou ao PSB para concorrer, em 2006, ao cargo de deputado federal pelo Ceará. Em 2013, tanto Ciro quanto seu irmão, Cid Gomes, deixaram o PSB para o PROS por discordar da decisão do PSB de lançar candidatura própria à presidência em 2014, quando Dilma Rousseff (PT) concorreria à reeleição.
A passagem dos irmãos Ferreira Gomes pelos PROS foi curta. Em 2015, eles foram para o PDT, partido no qual permaneceram por quase dez anos e pelo qual disputaram comando estadual após a briga política que levou ao rompimento dos dois. Ciro foi candidato à presidência pelo PDT em 2022.
Em 2024, Cid voltou ao PSB, e em 2025 foi a vez de Ciro voltar ao PSDB. Ele oficializou a filiação aos tucanos em outubro, em cerimônia realizada em um hotel em Fortaleza, ao lado de lideranças da oposição ao governador Elmano de Freitas.
A reorganização da oposição em torno de Ciro e do PSDB já trouxe mudanças para o cenário político do Ceará. A bancada do partido na Assembleia Legislativa saltou de 1 para 7 deputados durante a janela partidária deste ano, tornando-se a terceira maior da Casa.
Agora, seguindo os trâmites eleitorais, o partido deve realizar uma convenção em agosto, quando os filiados oficialmente devem apontar Ciro como candidato do partido ao Governo do Ceará, com objetivo de repetir a dobradinha que o levou ao Palácio da Abolição na década de 1990.
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