Da cadeira de rodas ao pódio: A jornada do fisiculturista Renato Rosa
Utilizando cadeira de rodas, o fisiculturista Renato Rosa, de 38 anos, conhecido como “Renato de Peso”, retorna às competições após contrair pneumonia por duas vezes seguidas e sofrer uma lesão no quadril em 2025.

Renato retornou às competições após ficar um ano em recuperação
Foto: Taís Forgearini/GES-Especial
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Com uma condição rara, o canoense nasceu com atrofia nos membros inferiores e com a bacia quebrada, o impedindo de andar, embora mova as pernas. Desde muito novo, a relação do paratleta com o esporte foi marcada pela resiliência, disciplina e uma busca incessante por superação.
“Fiz várias cirurgias na infância, mas a medicina não era avançada. Quando tinha 6 anos, meus pais decidiram parar com as cirurgias, permitindo que eu seguisse a vida. Apesar de não conseguir apoiar as pernas para andar, eu mantive a sensibilidade e movimento delas”, conta.
Ainda na juventude, Renato foi introduzido ao esporte por meio do skate, depois em corridas de rua e, atualmente, no fisiculturismo em cadeira de rodas. Ele é o único fisiculturista ativo que utiliza cadeiras de rodas no Rio Grande do Sul.
Em 2016, após chegar a pesar quase 100 quilos, Renato teve um momento de virada, decidindo que precisava mudar a rotina e os hábitos alimentares.
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“Meu antigo trabalho [como analista de sistemas] era no período noturno. Foi quando ganhei peso significativamente. Então, decidi começar a correr com a cadeira de rodas e iniciei uma dieta. Em nove meses, perdi cerca de 40 quilos, mas, como consequência, tive uma perda de massa magra.”
Sem condições financeiras para frequentar a academia, Renato fazia o percurso na cadeira de rodas de casa para o trabalho em Canoas. Após conseguir um novo emprego e voltar à academia, o canoense começou a participar de corridas de rua não competitivas.
A partir de 2022, Renato se dedicou às corridas, participando de várias, incluindo a Maratona de Porto Alegre, com percurso de 42 quilômetros.
Transição para o fisiculturismo
Em 2023, enquanto treinava intensamente para as corridas, Renato recebeu um convite para competir no fisiculturismo.

Renato sonha em viver do esporte e se tornar campeão mundial
Foto: Taís Forgearini/GES-Especial
“O antigo dono da academia em que eu treinava me fez o convite. Eu já acompanhava o esporte e admirava grandes nomes como Ronnie Coleman e Phil Heath, mas nunca me imaginei competindo. Acreditava que não tinha genética e estrutura para isso”, revela.
Após um ano de preparação, Renato conta que percebeu que, embora não tivesse a genética ideal, sua disciplina era um trunfo valioso. Nesse período, seu corpo foi transformado para competir.
“Comecei a estudar o esporte. Fiz mudanças na dieta, na hidratação e nos treinamentos. Passei a seguir uma dieta extremamente regrada, com controle de gramas. Meus treinos são de segunda a sábado, cerca de 2 horas por dia.”
A estreia em competições de fisiculturismo ocorreu em 2024, no Grand Prix Sul. Renato tornou-se bicampeão do Grand Prix Sul e, em seguida, campeão Mercosul de Fisiculturismo.
O canoense compete na categoria Wheelchair Open (peso livre), focando no condicionamento físico, já que não possui a estrutura para grandes volumes de massa. Seu peso em competição varia entre 44 e 48 quilos.
Após participar recentemente do Grand Prix Sul, Renato participará em maio da Copa Gym, em Porto Alegre.
Busca por patrocínio
Renato sonha em viver do esporte e se tornar campeão mundial, almejando os títulos de Mr. Universe e Mr. Olympia.
“Minha maior inspiração, não apenas como atleta, mas também por sua visão empresarial e empreendedora, é o Arnold Schwarzenegger. Ele venceu seis vezes o Mr. Olympia e também popularizou o fisiculturismo, transformando-o em uma marca.”
Com custo elevado em alimentação, suplementação, tinta para o corpo, academia e demais meios de preparação, Renato busca patrocínio e apoio de empresas. Interessados em auxiliar o paratleta podem entrar em contato pelo telefone (51) 98576-8385.




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